sábado, 25 de abril de 2009

Porque o mundo é feito de todas as cores e sentimentos




'When i'm speaking it's the voice of someone else.'

Já me aconteceu, demasiadas vezes, desapontar-me com algo que fiz ou disse que mudou a percepção que alguém tinha de mim para pior.

Para pior.

É obvio que não podemos agradar a gregos e troianos, e muito menos ponderar todas as nossas acções e palavras, de forma constante, evitando mágoas de terceiros e nossas também.

Mas parece que moi tem a tendência de piorar tudo, em termos de relações humanas.
Sempre me classificaram com o adjectivo estranho, e com essa idéia em mente fizeram-se juízes de valor e perfis que não correspondim com a pessoa em si.

Da mesma forma que determinadas minorias são aliadas a determinada conotação, que determinado tipo de aluno pertence a determinado grupo e que determinada pessoa, por apresentar certas características de personalidade, é deste ou daquelo tipo, também eu pertencia, segundo a opinião de terceiros ao grupo dos estranhos. Na altura não me importava minimamente o que A e B diziam. Eu tinha muito em que pensar, muitos problemas que não tinha nem idade nem meios para resolver, e muitas pessoas importantes na minha vida que sempre me apoiaram.

Mas o que fazer quando a maioria dos indivíduos da mesma idade adoptam determinados procederes e seguem um padrão de percurso, que te agrada por sinal, mas que és impossibilitado de seguir porque tens outras coisas muito mais importantes para fazer? E se te convidarem para determinado evento ao qual não poderás comparecer e, perante a recusa do convite, conotarem-te como anti-social?

Continuei a não me importar, baseando-me no facto de que não devo explicações nenhumas a tais indivíduos por não poder comparecer ou fazer algo. Se tenho um familiar doente, se aconteceu algo a alguém querido que requer que eu dedique mais tempo a tal pessoa, ou se vou simplesmente fechar-me no quarto a tricotar, ninguém (que não seja achegado o suficiente) tem o direito de me azucrinar a cabeça com comentários fúteis. O verdadeiro problema só começa quanto pessoas que não conhecemos de lado nenhum ficam a saber do perfil. A partir daí é uma carga de trabalho para poder mostrar o eu verdadeiro e acabar com opiniões pré-formuladas. Mas quer saber? Não me interessam tais opiniões pré-formuladas porque se alguém vai acreditar no que diz A e B também não merece que eu perca tempo, que não tenho, em explicações.

Fiquem uns com os outros porque mesmo as boas pessoas do grupo são amigas dos idiotas, e a convivência com eles implica levar com as bocas foleiras de outros. Deixarão saudades mas eles não sentirão saudades porque partem do princípio que o estranho é feito de pedra, não sente nem necessita, e nada tem a oferecer.

E é assim que as nossas atitudes e as dos outros, moldam a nossa maneira de estar na vida e, quando nos apercebemos, é por vezes tarde demais.
Se relações humanas dão assim tanto sofrimento e desgosto, eu, que já tenho problemas q.b. para me dar cabo da cabeça, prefiro restringir-me às relações essenciais das quais não podemos fugir, e afastar as outras (o que não é difícil a avaliar pela forma como o meu perfil é divulgado)

Lentamente transformo-me numa pessoa que os mais próximos consideram consideram útil e forte, que usa uma máscara à prova de sentimentos. Os que conhecem ou fizeram o perfil consideram fraca e inútil. Quem tem razão? Nenhum dos grupos.
Apenas transformo-me em alguém que, através de um exerício constante, tenta sobreviver e fazer com que as pessoas mais próximas de si não vejam o meu rosto desmanchado, porque problemas têm já que baste. Não consigo manter essa face em todos os momentos, por isso os qu não me são próximos já viram um vislumbre do que sou quando a pressão começa a esmagar a minha cabeça. Por isso assumem que é fraqueza, mas prefiro que eles me vejam cansada e frágil do que os meus quatro magníficos a quem faço um juramento que eles não sabem:
Quando estivermos melhor, eu páro para descansar.

Nobody knows who i really am...



imagem tirada daqui

terça-feira, 21 de abril de 2009

Só visto


Há cerca de um ano que je tem de fazer a penosa viagem de uma hora até o descampado* feio que, para além de servir de pista para pseudo-street racers andarem a brincar, parece que serve também de pista para cavalos, sendo que tem ainda dois ou três edifícios que albergam, nos dias úteis, determinados seres que o português mediano conhece como estudantes.


Estes seres não são maus de todo. No entanto, apesar dos estudantes não serem todos iguais e de haver muitas distinções entre os mesmos, são todos um pouco... passados.


Mas mesmo levando com tais seres (que podem ser do tipo beto, baldas, marrão entre outros que dão matéria para outro post) durante boa parte de meu tempo, a verdade é que nada se compara com os indivíduos que estão incumbidos de leccionar as aulas em que o estudante mediano aproveita para pôr as horas de sono em dia (ok estou a exagerar até porque quando querem fazê-lo ficam bem longe do descampado em casa).


Tais indivíduos são dos seres mais interessantes que já tive a oportunidade de analizar. São chamados de docentes e há para todos os gostos e de todos os feitios, o que é optimo pois trata-se de uma amostra perfeita daquilo que é o mundo. Juro que, se estudasse Antrpologia biológica, estudaria tais seres de forma meticulosa, pois são os responsáveis pela formatação mental de milhares de pessoas que por vezes nem se apercebem. Uns são excelentes docentes e, como em qualquer outra actividade, também há os que não o são.


Ainda mais interessante do que o docente é a população que vive nos arredores do descampado aka, Lx. Esta é sem dúvida a mais engraçada de todas.

É a conjugação dos verbos que até parece um dialecto ainda mais estranho do que o meu, em que se incluem palavras inéditas tais como 'fizestes', 'dissestes' e outras pérolas acabadas em 'esses', é também o facto de irem de autocarro para todo o lado, pudera, é Lx, é ainda o facto ainda mais engraçado de irem com as compras da feira todas no próprio autocarro, ás vezes o pior é o peixe e afins (conheço uma pobre alma que levou com um pão alentejano no meio da cabeça num belo dia em que choveu e o número de pessoas que apanharam o autocarro por uma paragem duplicou. O resultado: mudou de rota nos dias de chva), e é ainda a terrível mania (é quase um um ritual diário) de gritarem rudemente ao condutor do dito autocarro para este abrir a porta de saída quando este se esquece. O nome científico (ou não) de atribuído a um indivíduo que preencha tais requisitos é... lisboeta. Sim porque a única coisa que têm em comum é o facto de morarem em Lisboa. A partir daí basta dar asas à imaginação porque podem ser chungas, mitras, estudantes, pseudo-tias(os), novos, não tão novos, simpáticos, não tão simpátios e por aí em diante.


Lisboa possui charme e beleza em grande medida e pode-se aprender sempre algo com cada pessoa com quem nos cruzamos, mas prefiro a bela da outra margem por vários motivos.


*o descampado não é lisboa, apesar de se localizar nessa cidade.