quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Constatações #5

Há poucas coisas piores na vida do preparar e servir comida a outras pessoas quando se está de jejum. Se por escolha fosse seria menos doloroso. Mas não. E são torradas a sair e tostas mistas e sandes de tudo o que o freguês quiser e galões e rissóis (sim, há clientes que gostam de pedir fritos às 7:30 da manhã sabendo de antemão que estes vão ter de ser preparados na hora, e ainda protestam porque demora o serviço).
E é por isso que às vezes, mas só às vezes, deparamo-nos com uma empregada de mesa menos sipática (com ar trombudo, vá) às 11 da manhã de um sábado. Não é estupidez ou má disposição crónica. É fome. Trabalhar com a casa cheia é bom para o ordenado mas mau para o estômago. Pelo menos no meu caso...

Se já fico prestes a desmaiar num cenário como este, nem quero imaginar o que será um dia inteiro. Ou dias. E pensar que é a realidade de muitos...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Constatações #4

Ir ás Fnacs e Bertrands desta vida não só é deprimente como também é uma perda de tempo. Salve-se Eça de Queirós em livro de bolso aka livro-bom-a-preço-aceitável para os pobres não enterrarem a cabeça nas novelas da TVI. Ou pior.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

always look at the bright side...

Engordei oito quilos. As calças número trinta e quatro e trinta e seis à muito que não me servem. Finalmente posso dar uso a todos os midi dresses da ASOS que vim acumulando nos últimos meses! Espectáculo isto de usar vestidos, é que não é preciso pôr uma camisola e depois ter a chatice de procurar umas calças que ainda entrem. Uma peça e já está. O melhor é que parece que estou sempre espectacular ao contrário do meu anterior estilo agarrou-a-primeira-calça-e-camisa-que-encontrou-e-saiu-à-rua.
Image 4 of Warehouse Chiffon Tie Waist DressImage 1 of ASOS Midi Dress In Spot Print


E é ver-me sair de casa com vestidos de Verão com um casaco e collants feliz e com um pacote de bolachas de chocolate na mão, porque agora que descobri o segredo nunca mais me preocupo com drama que é experimentar rios e rios de ganga. É só vestir um vestido médio que não aperte da cintura para baixo, e ser feliz.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

I wanna settle down I wanna settle down

Desempregada. Em casa. Procurando emprego. Limpando. Cozinhando. Arrumando. A ouvir diariamente que não faz nada. Que há roupa para lavar. Que há chão para aspirar. Que há roupa à espera de ser passada a ferro. Que os quartos são para arrumar. É uma casa de cinco pessoas, é impossível que uma pessoa consiga fazer tudo isso ao nível de uma fada do lar sem ajuda e que não arruma quartos que não o seu é a resposta. Todos amuam. Querem a roupa passada e arrumada na gaveta. A comida na mesa às oito e meia. O chão imaculado. A cozinha arrumada. E tudo isto com um sorriso a acompanhar. Tenho vinte e três anos, estou desempregada e que raio, não esperam que eu encontre trabalho se ficar o dia todo a bancar a fada do lar. Que não. Que há tempo para tudo isso. Não, não há. Se quando me levanto tenho de lavar a louça de cinco pequenos-almoços, lavar duas máquinas de roupa e estendê-las, a que horas saio de casa. Que sou preguiçosa. E se for? Qual o problema de me deprimir uma vez por mês e ficar todo o dia de pijama a beber leite com café, com mel, com canela, com chocolate, com canela, com o que me apetecer enquanto respondo a anúncios no sapo e no expresso  e no raio que o parta que a Internet é espectacular para procurar emprego quando o dinheiro para procurá-lo pessoalmente escasseia. Percorro a minha caixa de correio onde tardam as mensagens que realmente interessam. Desespero presa no meu pesadelo suburbano.
Que uma dona de casa trabalha muito mais do que o seu respectivo marido que chega do seu trabalho mal humorado, descalçando os sapatos enquanto atira-se para o sofá a resmungar que o jantar não está pronto, poderia ser discutível (para mim não é, trabalham mais e ponto). O que não é discutível é que eu nunca quis ser uma.
Sempre ambicionei assentar com a minha própria pessoa, ocupando um belíssimo T1 que iria limpar e arrumar por mim e para mim. Julgam-me louca. Ai e tal e viver sozinha não e o papão e devias namorar e casar e o caraças. E é ver crianças a casar e é ver trintões solteiros a viver com os pais e é ver malta que vai a todo o lado e vê a torre Eiffel e o palácio de Buckingham sempre a tiracolo de alguém. Sou maior, vacinada e como nasci ontem o casamento não é sequer algo que se aconselhe. Quero viver sozinha. Quero viajar. Quero fazer parvoíces com os meus amigos como qualquer outro twenty-year-old. InterRail. Mochila às costas. Á minha custa. Deal with it.

I wanna settle down. Á minha maneira.