
Há cerca de um ano que je tem de fazer a penosa viagem de uma hora até o descampado* feio que, para além de servir de pista para pseudo-street racers andarem a brincar, parece que serve também de pista para cavalos, sendo que tem ainda dois ou três edifícios que albergam, nos dias úteis, determinados seres que o português mediano conhece como estudantes.
Estes seres não são maus de todo. No entanto, apesar dos estudantes não serem todos iguais e de haver muitas distinções entre os mesmos, são todos um pouco... passados.
Mas mesmo levando com tais seres (que podem ser do tipo beto, baldas, marrão entre outros que dão matéria para outro post) durante boa parte de meu tempo, a verdade é que nada se compara com os indivíduos que estão incumbidos de leccionar as aulas em que o estudante mediano aproveita para pôr as horas de sono em dia (ok estou a exagerar até porque quando querem fazê-lo ficam bem longe do descampado em casa).
Tais indivíduos são dos seres mais interessantes que já tive a oportunidade de analizar. São chamados de docentes e há para todos os gostos e de todos os feitios, o que é optimo pois trata-se de uma amostra perfeita daquilo que é o mundo. Juro que, se estudasse Antrpologia biológica, estudaria tais seres de forma meticulosa, pois são os responsáveis pela formatação mental de milhares de pessoas que por vezes nem se apercebem. Uns são excelentes docentes e, como em qualquer outra actividade, também há os que não o são.
Ainda mais interessante do que o docente é a população que vive nos arredores do descampado aka, Lx. Esta é sem dúvida a mais engraçada de todas.
É a conjugação dos verbos que até parece um dialecto ainda mais estranho do que o meu, em que se incluem palavras inéditas tais como 'fizestes', 'dissestes' e outras pérolas acabadas em 'esses', é também o facto de irem de autocarro para todo o lado, pudera, é Lx, é ainda o facto ainda mais engraçado de irem com as compras da feira todas no próprio autocarro, ás vezes o pior é o peixe e afins (conheço uma pobre alma que levou com um pão alentejano no meio da cabeça num belo dia em que choveu e o número de pessoas que apanharam o autocarro por uma paragem duplicou. O resultado: mudou de rota nos dias de chva), e é ainda a terrível mania (é quase um um ritual diário) de gritarem rudemente ao condutor do dito autocarro para este abrir a porta de saída quando este se esquece. O nome científico (ou não) de atribuído a um indivíduo que preencha tais requisitos é... lisboeta. Sim porque a única coisa que têm em comum é o facto de morarem em Lisboa. A partir daí basta dar asas à imaginação porque podem ser chungas, mitras, estudantes, pseudo-tias(os), novos, não tão novos, simpáticos, não tão simpátios e por aí em diante.
Lisboa possui charme e beleza em grande medida e pode-se aprender sempre algo com cada pessoa com quem nos cruzamos, mas prefiro a bela da outra margem por vários motivos.
*o descampado não é lisboa, apesar de se localizar nessa cidade.
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