quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Caixa

Acordei tarde. Muito tarde. Fiz o meu pequeno almoço. Torradas, leite com café. Devoro enquanto Aaron Hotchner e a sua equipa perseguem mais um serial killer. Leio Blogs. Arrumo os despojos de cinco pequenos-almoços e de dois almoços que alguém preparou para o trabalho, deixado para trás uma frigideira coberta de gordura e alho, uma panela de arroz e múltiplos tupperware do dia anterior. Irrita-me. Estrebucho. Acalmo-me. Arrumo. Supervisiono a prima de cinco anos para que não lave as mãos com o sabão líquido  do mês. Lido com a queixa de um dedo cortado. Ouço o meu pai. Que a roupa tem de ir para a corda. Respiro fundo e repito para mim que um dia será diferente.

Tenho toda  alegria e inocência do mundo condensada num olhar sonhador de um pequeno ser que aos cinco anos me faz manter a esperança acreditar no ser humano. "Se a relva é verde bate as mãos...se o morango é vermelho faz Yupiii....Ei, vil tu blá blá blá blá blá blá blá, vamos lá". Inventa letras. Canta. Fala sozinha entregue a jogos próprios da infância. Fala com os adultos como seus semelhantes. Faz questão que a sua opinião seja ouvida. É extrovertida e alegre. É inteligente e empreendedora. É feliz.

Nunca mudes meu doce. Que o peso de crescer e a pressão dos que te são ainda desconhecidos não te verguem e façam com que contemples o chão quando achares que algo está mal, em vez de te expressares.  Que nada te impeça de dançar sozinha enquanto cantas, nem mesmo a reprovação dos que te olham  de alto achando-se no direito de reprovar a acção de todos os que pisam a superfície terrestre à menos de uma década. Sê feliz.

Farei o possível para não me juntar à fileira de adultos que te esmagam os sonhos. Porque já fui como tu.  A diferença é que a caixa de cristal que continha as minhas ambições foi estilhaçada. Não culpabilizarei quem ou porque o fez. Farei a única coisa que posso: lutar para que a tua caixa, que encherás com o que quiseres, seja de aço.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Constatações #5

Há poucas coisas piores na vida do preparar e servir comida a outras pessoas quando se está de jejum. Se por escolha fosse seria menos doloroso. Mas não. E são torradas a sair e tostas mistas e sandes de tudo o que o freguês quiser e galões e rissóis (sim, há clientes que gostam de pedir fritos às 7:30 da manhã sabendo de antemão que estes vão ter de ser preparados na hora, e ainda protestam porque demora o serviço).
E é por isso que às vezes, mas só às vezes, deparamo-nos com uma empregada de mesa menos sipática (com ar trombudo, vá) às 11 da manhã de um sábado. Não é estupidez ou má disposição crónica. É fome. Trabalhar com a casa cheia é bom para o ordenado mas mau para o estômago. Pelo menos no meu caso...

Se já fico prestes a desmaiar num cenário como este, nem quero imaginar o que será um dia inteiro. Ou dias. E pensar que é a realidade de muitos...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Constatações #4

Ir ás Fnacs e Bertrands desta vida não só é deprimente como também é uma perda de tempo. Salve-se Eça de Queirós em livro de bolso aka livro-bom-a-preço-aceitável para os pobres não enterrarem a cabeça nas novelas da TVI. Ou pior.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

always look at the bright side...

Engordei oito quilos. As calças número trinta e quatro e trinta e seis à muito que não me servem. Finalmente posso dar uso a todos os midi dresses da ASOS que vim acumulando nos últimos meses! Espectáculo isto de usar vestidos, é que não é preciso pôr uma camisola e depois ter a chatice de procurar umas calças que ainda entrem. Uma peça e já está. O melhor é que parece que estou sempre espectacular ao contrário do meu anterior estilo agarrou-a-primeira-calça-e-camisa-que-encontrou-e-saiu-à-rua.
Image 4 of Warehouse Chiffon Tie Waist DressImage 1 of ASOS Midi Dress In Spot Print


E é ver-me sair de casa com vestidos de Verão com um casaco e collants feliz e com um pacote de bolachas de chocolate na mão, porque agora que descobri o segredo nunca mais me preocupo com drama que é experimentar rios e rios de ganga. É só vestir um vestido médio que não aperte da cintura para baixo, e ser feliz.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

I wanna settle down I wanna settle down

Desempregada. Em casa. Procurando emprego. Limpando. Cozinhando. Arrumando. A ouvir diariamente que não faz nada. Que há roupa para lavar. Que há chão para aspirar. Que há roupa à espera de ser passada a ferro. Que os quartos são para arrumar. É uma casa de cinco pessoas, é impossível que uma pessoa consiga fazer tudo isso ao nível de uma fada do lar sem ajuda e que não arruma quartos que não o seu é a resposta. Todos amuam. Querem a roupa passada e arrumada na gaveta. A comida na mesa às oito e meia. O chão imaculado. A cozinha arrumada. E tudo isto com um sorriso a acompanhar. Tenho vinte e três anos, estou desempregada e que raio, não esperam que eu encontre trabalho se ficar o dia todo a bancar a fada do lar. Que não. Que há tempo para tudo isso. Não, não há. Se quando me levanto tenho de lavar a louça de cinco pequenos-almoços, lavar duas máquinas de roupa e estendê-las, a que horas saio de casa. Que sou preguiçosa. E se for? Qual o problema de me deprimir uma vez por mês e ficar todo o dia de pijama a beber leite com café, com mel, com canela, com chocolate, com canela, com o que me apetecer enquanto respondo a anúncios no sapo e no expresso  e no raio que o parta que a Internet é espectacular para procurar emprego quando o dinheiro para procurá-lo pessoalmente escasseia. Percorro a minha caixa de correio onde tardam as mensagens que realmente interessam. Desespero presa no meu pesadelo suburbano.
Que uma dona de casa trabalha muito mais do que o seu respectivo marido que chega do seu trabalho mal humorado, descalçando os sapatos enquanto atira-se para o sofá a resmungar que o jantar não está pronto, poderia ser discutível (para mim não é, trabalham mais e ponto). O que não é discutível é que eu nunca quis ser uma.
Sempre ambicionei assentar com a minha própria pessoa, ocupando um belíssimo T1 que iria limpar e arrumar por mim e para mim. Julgam-me louca. Ai e tal e viver sozinha não e o papão e devias namorar e casar e o caraças. E é ver crianças a casar e é ver trintões solteiros a viver com os pais e é ver malta que vai a todo o lado e vê a torre Eiffel e o palácio de Buckingham sempre a tiracolo de alguém. Sou maior, vacinada e como nasci ontem o casamento não é sequer algo que se aconselhe. Quero viver sozinha. Quero viajar. Quero fazer parvoíces com os meus amigos como qualquer outro twenty-year-old. InterRail. Mochila às costas. Á minha custa. Deal with it.

I wanna settle down. Á minha maneira.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Costatações #3

Perante uma esplanada totalmente vazia o cliente depara-se com um dos grandes dilemas do século: e agora, onde me sento? 
Hipótese a: na mesa à sua frente totalmente vazia e arrumada.
Hipótese b: na mesa à sua direita igualmente irrepreensível.
Hipótese c: na segunda mesa à sua esquerda, semelhante às restantes.
Hipótese d: na terceira mesa à sua esquerda, um pouco mais distante mas igualmente arrumada.
Hipótese e: na mesa do fundo, na sua extrema esquerda, totalmente desarrumada e imunda depois da estadia de quatro adoráveis crianças e respectivos progenitores, que partiram à dois minutos, cheia de louça suja, restos de bolos, papéis, restos de cigarro e toalhetes de bebé.

Ó vida cruel, onde se sentará o ilustre cliente neste que é o mais complicado dia da sua difícil existência? Vida cruel que o obriga a escolher onde se sentar numa esplanada de café (onde já se viu semelhante cousa?).

Hipótese e. Porca miséria que me passo de cada vez que um estulto qualquer decide que irá colocar o seu real assento na única mesa que parece saída de um confronto de guerra. What's wrong with you people?
Mas o cliente é rei e senhor e tem sempre razão e o camandro.

Constatação: Perante uma escolha aparentemente fácil o estulto escolhe sempre complicar as coisas.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

I feel like complaining

Empregada de balcão de 2.º numa pastelaria cheia de pseudo- snobs.
Odeio atitudes snob.
Seis dias por semana sem feriados nem abébias.
Ordenado mínimo.
Dívidas a crescer.
Nem um cêntimo de sobra (só de falta).
Fisicamente e Psicologicamente esgotada.
Quatro quilos a mais.
Roupa que insiste em encolher (?).

Ok estou a ficar louca e gorda mas é por uma boa causa.
Só a trabalhar é que se alcança algo (pelo menos quando se é pobre e sem conections).

No fim do Verão fico novamente desempregada por isso o próximo passo é começar a preparar novas candidaturas. Parar não é opção.

Ânimo rapariga!
'Eu marco um X no mapa do tesouro
Não há quem desvie o meu barco do seu rumo
Nem para a frente nem para trás
É um risco que eu assumo
Passo a cortina de fumo
É um medo que é comum
Passo o cabo e a boa esperança encontrei...'

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

(Quase que) odeio futebol

Ajuntamento de massas = psicologia qualquer que diz ai e tal e aumento da estupidez do ser humano quando parte de uma grupo que defende determinada idéia sem fundamento, só porque sim (ai eu torço por no one gives a ****) = porrada da grossa no jornal das 20.

...I live on the frozen surface of a fireball, where cities come together to hate each other in the name of sport...


...I got music coming out of my hands, and feets, and kisses...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eu não queria dizer isto (por acaso queria e quero) mas...

Porcaria-pah-que-andei-a-estudar-e-a-queimar-as-pestanas-para-isto-e-agora-estou-numa-de-trabalhar-nove-horas-por-dia-folga-ao-domingo-para-pôr-as-ideias-em-ordem-ai-o-camandro-pah.

E é isto.

Porque nunca o disse em voz alta mas hoje estive a pensar nisso e fiquei lixada da vida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A relatividade da felicidade

Sentada em frente ao computador olho pela janela enquanto ouço uma versão casual de Bella Luna na voz de mr. Mraz. A luz do pôr do sol inunda a erva verde e as árvores do terreno abandonado atrás do meu prédio. Este pequeno pedaço resistente de terra lembra-me constantemente de como é bela a natureza.

Recordo-me de uma reportagem recente que noticiava que fontes seguras garantiam que os ilustres cidadãos de determinado país residentes na Península Ibérica seriam evacuados em caso de colapso económico nesta que é considerada a cauda da Europa. Quando pedida a opinião aos ilustres cidadãos do país em causa uma resposta destacou-se das outras politicamente correctas como sendo a mais interessante. Foi qualquer coisa como: ' O quê? sair de Portugal em caso de bancarrota? Eu só tenho a certeza de que mais vale estar falido aqui ao sol e com esta comida do que ter dinheiro no norte do país de onde venho.'

Sorrio. Não porque concorde (o verde das paisagens do norte da ilha maravilhosa sempre me fascinou), mas porque percebi o que o indivíduo queria dizer. Lembro-me de caminhar à beira mar no calor das noites de verão, de espreguiçar num qualquer banco nos jardins de Belém a aproveitar o sol de inverno de dançar à chuva com a certeza de que a felicidade é rir com os mesmos amigos que nos conheceram a andar de autocarro e com quem agora vamos de carro para metade do mundo. Partilhar o almoço com uma colega que veio do calor de África para estudar, atravessar Lisboa a pé com os amigos porque não há dinheiro para o metro, enquanto se tira fotografias como se de turistas nos tratássemos. Percebi o que o ilustre cidadão queria dizer... A beleza da vida não está tanto nas coisas que temos mas mais no que conseguimos fazer com o que possuímos.

Contemplo o cenário que a minha janela me oferece e tenho a certeza de que fui feliz. O sol desaparece atrás de um prédio qualquer e a certeza aprofunda-se: Sou feliz.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Hello, Alone, It's you and me again...

Este vídeo faz-me rir e sorrir de forma quase idiota. Charlie Winstone. Um dos artistas que têm o dom de colorir até o dia mais cinzento e frio de todos (hoje é um desses dias).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Misread


If you wanna be my friend,
You want us to get along
Please do not expect me to
Wrap it up and keep it there
The observation I am doing could
Easily be understood
As cynical demeanour
But one of us misread...
And what do you know?
It happened again...