quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eu, gulosa, me confesso...

Para além dos anti stress que as pessoas normais têm (pintar, tocar um instrumento musical, sobrecarregar a internet de palavras com que não queremos sobrecarregar os nossos entes queridos), confesso que tenho um hobbie viciante: comida.

Ver comida, mais do que comê-la é altamente viciante.

Como boa masoquista que sou, vejo programas e programas de culinária, principalmente pastelaria, e pesquiso receitas como se não houvesse amanhã.

Desde que descobri a secção de doces do site Sabor Intenso, a minha vida nunca mais foi a mesma.

Há algo que se ilumina em mim com a possibilidade de adicionar novos sabores e aromas, novas cores e texturas à vida tal como a conheço... mesmo que seja através de comida. Altamente terapêutico portanto (o único efeito secundário é ficar sem vontade de comer, whatever...)

Programas televisivos que sejam [remotamente] sobre comida deixam-me colada ao sofá como se de paralisia se tratasse.

MasterChef Australia, Dias de Mafalda, Hell's Kitchen, Jamie's 30 minute meals, Cook Yourself Thin, Nigella's Bites, Ingrediente Secreto, Chakall e Pulga, The Delicious Miss Dahl e muito, muito mais...




Noites e noites a ouvir o Chef Ramsay a gritar Wellingtons como se não houvesse amanhã e pronto, estou obcecada...
Pelo menos poupo em terapia convencional... ou não.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Yeah para mim

Full time no meu antigo part time para substituir colega em baixa de maternidade (it doesn't make any sense but whatever).

=

Plano a ser 'desenhado':

1- Carta de condução (1500 € a partir de janeiro, bahh)
2- Renovar o guarda roupa i.e. criar uma secção no roupeiro que me ajude a evitar a conversa n.º 1, também conhecida como 'não, não estou a tentar parecer mais velha, já não estou na puberdade, sim eu sei que pareço ter 13 mas não tenho, pois sim mas não nasci nos anos 90, é isso mesmo tenho idade mais do que suficiente para me enfrascar de forma legal'.
3- Tratar da pele com produtos decentes. (Ponto importantíssimo para deixar de ser comparada à geração bieber)

E o mais importante:
4- Comprar um livro que não seja leitura obrigatória de uma cadeira qualquer. (chega de ler à borla na fnac (bons tempos esses em que não havia dinheiro para mais e o people ia sentar-se no chão da fnac por não haver mais lugares na galeria; eu a ler Perfume de Patrick Süskind a C. a ler Nicholas Sparks... gostos não se discutem).

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quando nada se procura encontra-se algo

Zapping. Sic Mulher. Ellen. A banda começa a tocar. A guitarra alicia, a percussão agrada, o baixo confirma. Totalmente vidrada antes mesmo de ouvir o resto e o resto não desilude, pelo contrário, convence. Banda devidamente googlada e pesquisada e o resultado:
Givin up de One eskimO em repeat mode.

Juro que um dia vou tocar assim: com o ritmo da percussionista, com a confiança do baixista, com o sentimento do guitarrista (o homem está a mandar na cena toda com uma acústica, é preciso ter qualquer coisa para mandar a cena abaixo sem estar escondido atrás do poder demasiado óbvio de uma eléctrica; acústica: classe e poder subtil mas talvez mais impressionante). Se não juro que vou cantar assim é por compaixão ao resto da humanidade...

Quanto ficou por dizer

O telefone toca. Perante a certeza de ser um número desconhecido vejo os meus olhos brilharem de renascida esperança. Atendo. Do outro lado uma voz masculina e jovem inicia o processo de recrutamento de forma rotineira. Os segundos passam e o processo rotineiro dá lugar a uma conversa afável e amigável. Cedo ouço a pergunta que mais temia. Respondo que não, que não tenho veículo próprio, a carta de condução não passa de uma miragem. Numa tentativa de me incluir na segunda fase de recrutamento a voz amigável pergunta-me se tenho alguém que me possa levar ao ermo industrial em causa, visto que fica fora de rede de tansportes. Perante a resposta negativa, a voz informa-me que tem muita pena mas não pode dar continuidade ao processo, que era uma pena, que enviasse de novo currículo quando tivesse 'mobilidade'...

Mais tarde desligo o telefone e realizo o passeio entre o chão do meu quarto e a sala. Cara de poucos amigos. A mãe pergunta o que se passa. Respondo de forma sucinta, indicador que não quero conversar, que, pela enésima vez, a 'falta de mobilidade própria' me deixa pendurada.

Ouço o discurso da praxe: que temos de 'ter uma conversa', que respondo mal (que é quando digo que não quero falar...), que acha que estou à beira de um colapso. Digo-lhe que não quero 'ter uma conversa' aos 22 anos. Responde-me que sempre esteve disponível para conversar.

Pela minha mente passam episódios da minha adolescência em que às 17:30 começava a deitar olhares nervosos ao relógio da cozinha. Era hora da mãe chegar a casa. Desde o momento em que inseria a chave na porta até o momento em que se ia deitar, criticava tudo, gritava por nada, discursava sobre o que restava. Foi durante a minha adolescência que a mãe trabalhou num local em que o stress era mais que muito e isso, infelizmente, revelava-se desde o momento em que inseria a chave na porta até a hora de se ir deitar. Sempre muito stressada, sempre igualmente cansada. Recentemente deixou esse emprego que só lhe (nos) fazia mal. Ainda bem.

O flashback acaba. Saio do transe e respondo que é humanamente impossível estar sempre disponível quando se tem uma família tão grande que só pode conversar à hora de jantar. A minha mente gritava que sempre esteve disponível para 'ter uma conversa' é verdade, mas que 'ter uma conversa' equivalia na maior parte das vezes, a um extenso monólogo em que eu era a assistência e que, para isso, mais vale não 'conversar'. Consigo conter-me. A mente grita mas a boca não acrescenta nada. Porque os olhos viram a dor que as primeiras palavras causaram. Acusar não vale de nada. Por outro lado agradeço mentalmente: 'ainda bem que deixou aquele emprego...'