sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Should i decide it's true
that you would leave if given half the chance to go and
i'd be left here on my own
to find myself in bed
wishing everything that changed would be the same

the room still looks like you
it's a mess and all the pictures on the shelf are
dusted off by someone else
to keep me company
i haven't told her that your thought still lingers on

everyday's another chance to bury my regret
everyday's another chance to make it but i can't
but i can't

i saw you on my phone
on a contact list that isn't up to date
would have changed it with more time
that i require to
rid my mind of all the freckles on your face

and reconcile to what?
the ring i bought you is buried deep within the ground
behind the swing where we first met
and memory only serves
to remind of all the bruises you forgave

should i decide it's true
that you'd return if given half the chance to come....

but it's not true




Do álbum Goodnight, de William Fitzsimmons.
Juntar à lista de desejos. É música triste, mas linda. Triste sem ser deprimente, calma e ainda assim envolvente.
Também não era nada mal acrescentar à lista de desejos: aprender a tocar como mr. Fitzsimmons.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Do 'baú' da minha mãe

Há sempre alguma coisa nos nossos progenitores que nos fascinam desde pequenos. As palavras a elegância, a inteligência, a capacidade de adivinhar quando fazemos alguma trapaça, em suma, as suas características. Sempre gostei de ouvir a minha mãe falar dos meus antepassados, das suas característica e valores.
O que gostava e gosto mesmo de ouvir são as histórias de vida da minha querida mãe antes de nós (os rebentoa) nascermos. As coisas de que gostava, as roupas, os sapatos (ai aqueles sapatos italianios liiindooooooos de morrer que duram e duram e duram e são lindos e duram), as amizades, as experiências mas, ainda mais a música.

Lembro-me de ser bem pequena e de fazer, com os meus irmãos mãe e tia, as nossas festas que envolviam vasculhar tudo o que era k7 ou vinil da grande colecção disponível e de dançar ao seu ritmo. A banda sonora de Greease, as k7s de Julio Inglesias, os sons manhosos da américa latina, Bonga, Mobass, tudo era dancável.
Mas o som que mais gosto até hoje é o de uma pequena k7 dos anos oitenta de Marcella Bella. Suspirar, chorar, dançar e desafinar numa só k7. O meu único medo é que se estrague. Por esse motivo recorro muitas vezes à internet para ouvir algumas das canções (a grande maioria não é muito conhecida, por isso não me vale de muito).
Strana ideia strana folia é uma das minha preferidas para dançar/desafinar/assassinar-a-letra e é um pouco difícil de encontrar. Aquelo ritmo típico dos anos 80 é o máximo. Só os penteados é que são...
Viva o youtube, porque encontrei hoje uma atuação ao vivo de Bella em que canta esta música. Como foi gravado ao vivo boa parte do feeling presente na gravação original perde-se, mas é fantástico na mesma. E lá vou eu dançando como uma tresloucada...

E agora em calão de 2002, os anos oitenta rolaram muito... parece que também se dizia batia bué mas já está em desuso... esta juventude não se percebe (estou a perder o juízo).
E não é que estive a ver uma entrevista recente e a mulher continua fenomenal? Não sei o que fez mas está linda.

Felling like crap vs La vita è bella. La vita è più bella...

Não quero estudar.
Não quero falar.
Apetece-me chorar. Apetece-me chorar muito.
Quero enfiar-me debaixo do cobertor e esquecer o que se passa à volta.
Quero esquecer todos os comentários inúteis, as conversas maldosas e os discursos inflamados que ouço diariamente.
Quero que todos se calem quando não me apetece ouvir ninguém.

Mas o mundo não desaparece, nem deveria.
As pessoas continuam com os seus desvaires e eu continuo a não poder com elas mas a vida é assim.
O mundo não pára de rodar porque eu, num momento de insanidade, pedi que assim fosse, e ainda bem.

Levantar, contrariar os primeiros pensamentos e fazer algo. Esta é a base do meu modos operandi para não deixar nada nem ninguém perceber que estou mal. Boa parte de quem se cruzar comigo pensará que sou apenas uma anti-social-antipática-nariz-empinado-que-não-quer-saber-de-ninguém-e-mal-disposta. A verdade é que, por causa de alguém, obrigo-me a não ficar no meu casulo de protecção (aka casa) enquanto tudo me cai em cima. Saio de casa para enfrentar o mundo e não deixo que ninguém perceba a dor que me corrói. O mal é que parece que, como alguém já me disse, considero-me melhor do que os meus semelhantes só porque mantenho a expressão fechada enquanto mergulho o pensamento nos problemas que me desesperam.

Não sou boa atriz. Se o fosso juro que sorriria a tudo com facilidade e encharcaria os que me rodeiam com todo o meu pseudo-positivismo. Mas não sou boa atriz. Sou uma atriz moderada. Quero com isto dizer que chateio toda a gente com a minha energia e esbanjo felicidade (genuína nesses momentos) enquanto os problemas crescem, mas quando estes começam a sufocar não consigo fingir.
Começam a pensar que sou uma enjoada crónica mas a verdade é que sou apenas mais uma entre muitos que tentam manter-se à tona enquanto um mar revolto, cinzento e depressivo tenta nos afogar.

Mantenho-me à tona. Por mim sim, por alguém também, mas mais por mim. Agarro-me à figura desse alguém (sem saber que me inspira dessa forma) para me manter à tona. Por mim e por alguém. Porque não devemos viver em função de ninguém, mas porque nenhum homem é uma ilha, agarro-me para me salvar a mim e a quem me inspira. Não quero que me veja no buraco. Acho que já começou a perceber que não estou bem (obviamente), mas não permitirei que sofra além da conta por mim. Quero que me apoie sem se deixar abater com o que abate, quero estar lá para ser apoio também, por isso não posso me afogar correndo o risco que se atire no mar também. Egoísmo? Altruísmo? Não me interessa discutir isso porque simplesmente parece-me ser o melhor a fazer.

Mantenho-me à tona por mim e pelos outros também. Por mais que aprecie os meus momentos de solidão, quem sou eu (ou nós) sem os outros? E quem são os outros se estiverem sozinhos?

Olho para fotos de tempos idos em que a inocência da idade pairava nos mesmos olhos que hoje observam as fotos. [Quase que] odeio Grey's anatomy mas lembro-me de um episódio em que a personagem principal disse algo que me vem à cabeça cada vez que olho as minhas fotos de infância: Como é que passamos daquilo para isto? Em que momento é que, sem nos darmos conta, passámos da felicidade pura e crua para a mágoa que nos é infligida? Quando? Como?

A vida é difícil para todos. Uns são confrontados com realidades terríveis mais cedo que outros, mas todos chegamos lá. Alguns não conseguem lidar com todo o acumular de más situações, outros consegem resolvê-las ou controlá-las e seguir a sua vida levando o conhecimento adqurido e a felicidade de estar vivos consigo. Outros, cujos problemas não podem ser ainda resolvidos ou controlados, seguem em frente com a convicção de que tudo vai melhorar, embora com a percepção de que levantar da cama é uma luta diária; outros caiem e isso é o pior porque levantar-se é mais doloroso do que o motivo que lhes levou a cair.

Eu tento não cair. Se já caí e não me apercebi, estou apenas a tentar me levantar. O que interessa é que olho em frente e sigo. Sigo e tento que não caiam por mim, que não sejam arrastados pela maré negra que me assolou. Descarrego aqui, agora, Descarrego à noite quando danço, descarrego quando saio e corro, interajo com a cidade e com a natureza, interajo com quem me rodeia, leio e aprendo cada vez mais para convencer-me cada vez mais de que a vida vale a pena.
Sinto e sei que a vida é a melhor dádiva que existe. Manter-me à tona depende de nunca me deixar levar a pensar o contrário.
20 anos. Já passei por muito em tão pouco tempo de existência e ao mesmo tempo passei por tão pouco... Serei então grata pelo que tenho e tive.
La vita è una bella che si da soltanto a chi la tratterà com più ottimismo... *

*L'ultima poesia, de Gianni e Marcella Bella

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tralailai

Ou arranjo um part-time ou viro sem-abrigo.
Voto na opção1...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Lay back and relax

Speechless...

O meu amigo A.

Pessoas há que gostam de oferecer lindos presentes pelos mais variados motivos. Uns porque querem ser admirados, outros porque querem partilhar a sua sorte com outros e ainda alguns que o fazem como forma de legitimar o seu vício por compras.
Quando se tem meios, motivação correcta e sentimento genuíno, o momento de oferecer é lindo.
Quando não se tem meios para oferecer este mundo e o outro aos que nos são queridos a situação muda de figura. O que se partilha?

O meu amigo A. é um indivíduo deveras esquisito. Não pode ver ervas aromáticas no prato porque fica maldisposto, não gosta de comer e é muuuito alto. A única vez que o vi apreciar uma iguaria com salsa, sendo que ele estava devidamente informado sobre a existência da mesma no prato, ri-me como uma perdida por ele ter dito muito sério: 'apesar de isto ter coentros, salsa ou outra erva isto está muito bom'. É também um indivíduo muito divertido e especial.

Há uns dias pediu emprestada uma forma para bolo porque não tinha nenhuma. Ontem apareceu na porta com um bolo de chocolate enorme para o pessoal da casa. Pois é quando, por qualquer motivo, se sente feliz e agradecido, ou simplesmente porque lhe apetece, faz um bolo e oferece-o. Mas voltemos ao bolo. Eu nunca gostei muito do típico bolo de chocolate coberto de chocolate, recheado de chocolate, com côco na massa e quilos de manteiga na cobertura. Este bolo não era assim; para já não tinha côco e não era recheado. o bolo é perfeito e absolutamente delicioso. E depois leva uma cobertura tão leve... Pareço uma freak mas é mesmo bom.Estou a comê-lo desde ontem e ainda não me cansei. É desta que deixo de pesar os meus ridículos 52 quilos.

Isto tudo para dizer o quê: a motivação que leva alguém a escolher, com todo o amor, uma fragrância rara para alguém especial é a igualmente bonita à que leva alguém a fazer algo com as suas mãos para oferecer. Mas para quem recebe algo feito com o trabalho de um amigo, o sentimento é duplamente bom porque aquele presente é especial, é único no mundo. O mesmo se aplica aos postais personalizados pelas mãos da G, aos desenhos que a pequena M faz como surpresa e ao diamante de papel que recebi do F quando este tinha uns quatro anos. São presentes lindos que permanecem na memória de quem recebe pelo sentimente que lhes vem inpregnado.

Conheço pouco o A, mas a sua história, o seu trajecto na vida e a sua forma de estar nela fazem com que o seu bolo de chocolate seja um presente inesquecível.