Desempregada. Em casa. Procurando emprego. Limpando. Cozinhando. Arrumando. A ouvir diariamente que não faz nada. Que há roupa para lavar. Que há chão para aspirar. Que há roupa à espera de ser passada a ferro. Que os quartos são para arrumar. É uma casa de cinco pessoas, é impossível que uma pessoa consiga fazer tudo isso ao nível de uma fada do lar sem ajuda e que não arruma quartos que não o seu é a resposta. Todos amuam. Querem a roupa passada e arrumada na gaveta. A comida na mesa às oito e meia. O chão imaculado. A cozinha arrumada. E tudo isto com um sorriso a acompanhar. Tenho vinte e três anos, estou desempregada e que raio, não esperam que eu encontre trabalho se ficar o dia todo a bancar a fada do lar. Que não. Que há tempo para tudo isso. Não, não há. Se quando me levanto tenho de lavar a louça de cinco pequenos-almoços, lavar duas máquinas de roupa e estendê-las, a que horas saio de casa. Que sou preguiçosa. E se for? Qual o problema de me deprimir uma vez por mês e ficar todo o dia de pijama a beber leite com café, com mel, com canela, com chocolate, com canela, com o que me apetecer enquanto respondo a anúncios no sapo e no expresso e no raio que o parta que a Internet é espectacular para procurar emprego quando o dinheiro para procurá-lo pessoalmente escasseia. Percorro a minha caixa de correio onde tardam as mensagens que realmente interessam. Desespero presa no meu pesadelo suburbano.
Que uma dona de casa trabalha muito mais do que o seu respectivo marido que chega do seu trabalho mal humorado, descalçando os sapatos enquanto atira-se para o sofá a resmungar que o jantar não está pronto, poderia ser discutível (para mim não é, trabalham mais e ponto). O que não é discutível é que eu nunca quis ser uma.
Sempre ambicionei assentar com a minha própria pessoa, ocupando um belíssimo T1 que iria limpar e arrumar por mim e para mim. Julgam-me louca. Ai e tal e viver sozinha não e o papão e devias namorar e casar e o caraças. E é ver crianças a casar e é ver trintões solteiros a viver com os pais e é ver malta que vai a todo o lado e vê a torre Eiffel e o palácio de Buckingham sempre a tiracolo de alguém. Sou maior, vacinada e como nasci ontem o casamento não é sequer algo que se aconselhe. Quero viver sozinha. Quero viajar. Quero fazer parvoíces com os meus amigos como qualquer outro twenty-year-old. InterRail. Mochila às costas. Á minha custa. Deal with it.
I wanna settle down. Á minha maneira.
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