Não gosto de repetir procederes mas, ao contrário do que pensava, faço-o constantemente.
Tenho uma tendência quase auto-destrutiva para repetir erros. Erros dos mais elementares aos mais complexos.
Erros estúpidos.
Erros difíceis de prever.
Erros que tudo tinham de previsíveis.
Errar é humano. Repetir erros bárbaros não é muito inteligente.
O problema surge da junção das duas componentes: o erro e a inteligência.
Cada ser humano destaca-se pelas qualidades que o distinguem dos demais indivíduos. A inteligência é uma das características que nos torna únicos. Todos nós temos pelo menos uma área em que nos destacamos mais, sendo que esta afirmação é tão verdadeira quanto a de que a maioria da população mundial não tem a possibilidade de explorar a sua verdadeira vocação.
Quantos potenciais génios da música morrem diariamente, em lugares não tão distantes, sem poderem apreciar sequer uma melodia tradicional e desconstruí-la em todos os instrumentos e notas que a compõem porque têm de viver sob imposições feitas por pessoas que nunca conhecerão.
Quantos potenciais prodígios da matemática lutam a sua vida inteira para conseguir o alimento que apenas permite a si e aos seus presenciar dia de amanhã? Porque o amanhã será melhor, não poderá piorar.
E quantas das crianças que vivem em ambientes hostis de guerra, sujeitas a abusos pelas duas partes de um conflito que não é seu, terão a oportunidade de desenvolver potenciais capacidades em termos de relações humanas? Que confiança deposita no ser humano uma criança condicionada por tal meio? Que tipo de adulto será? Em que acreditará? Até onde será capaz de ir em prol do ideal que lhe sustenta?
A percentagem de vítima que se torma em agressor é alarmante. De onde será que surgem pessoas capazes de abusar assim de um ser humano? Pergunta de conversa de café que culmina na resposta óbvia.
Tudo isto para dizer que me sinto miserável por problemas vários. Todos nós temos os nossos obstáculos mas alguns sofrem de males tão maus que injusto não é adjectivo suficiente.
Ás vezes penso como seria se tivesse nascido em determinada situação que condicionasse o meu desenvolvimento. Seria uma pessoa melhor? Pior?
Voltando ao tema da vocação de cada um, eu ainda não descobri a minha.
Sei perfeitamente que sou inteligente, só não sei até que ponto. Sei que sou boa em muitas coisas, só não descobri aquela que ma apaixone. Se calhar já passei por ela e não me apercebi.
Mas aquilo de que tenho absoluta certeza, é que sou uma verdadeira tragédia no que diz respeito a relações humanas, sejam elas quias forem. Posso gostar imenso de alguém mas afastá-la completamente com os meus complexos.
A culpa é somente minha e o pior... é que sei disso.
E enquanto penso nestes devaneios, o mundo roda e as pessoas enfrentam problemas reais.
E enquanto o mundo roda, apercebo-me de quão pequena e insignifcnte sou na imensidão que é o universo.
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