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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A relatividade da felicidade

Sentada em frente ao computador olho pela janela enquanto ouço uma versão casual de Bella Luna na voz de mr. Mraz. A luz do pôr do sol inunda a erva verde e as árvores do terreno abandonado atrás do meu prédio. Este pequeno pedaço resistente de terra lembra-me constantemente de como é bela a natureza.

Recordo-me de uma reportagem recente que noticiava que fontes seguras garantiam que os ilustres cidadãos de determinado país residentes na Península Ibérica seriam evacuados em caso de colapso económico nesta que é considerada a cauda da Europa. Quando pedida a opinião aos ilustres cidadãos do país em causa uma resposta destacou-se das outras politicamente correctas como sendo a mais interessante. Foi qualquer coisa como: ' O quê? sair de Portugal em caso de bancarrota? Eu só tenho a certeza de que mais vale estar falido aqui ao sol e com esta comida do que ter dinheiro no norte do país de onde venho.'

Sorrio. Não porque concorde (o verde das paisagens do norte da ilha maravilhosa sempre me fascinou), mas porque percebi o que o indivíduo queria dizer. Lembro-me de caminhar à beira mar no calor das noites de verão, de espreguiçar num qualquer banco nos jardins de Belém a aproveitar o sol de inverno de dançar à chuva com a certeza de que a felicidade é rir com os mesmos amigos que nos conheceram a andar de autocarro e com quem agora vamos de carro para metade do mundo. Partilhar o almoço com uma colega que veio do calor de África para estudar, atravessar Lisboa a pé com os amigos porque não há dinheiro para o metro, enquanto se tira fotografias como se de turistas nos tratássemos. Percebi o que o ilustre cidadão queria dizer... A beleza da vida não está tanto nas coisas que temos mas mais no que conseguimos fazer com o que possuímos.

Contemplo o cenário que a minha janela me oferece e tenho a certeza de que fui feliz. O sol desaparece atrás de um prédio qualquer e a certeza aprofunda-se: Sou feliz.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quanto ficou por dizer

O telefone toca. Perante a certeza de ser um número desconhecido vejo os meus olhos brilharem de renascida esperança. Atendo. Do outro lado uma voz masculina e jovem inicia o processo de recrutamento de forma rotineira. Os segundos passam e o processo rotineiro dá lugar a uma conversa afável e amigável. Cedo ouço a pergunta que mais temia. Respondo que não, que não tenho veículo próprio, a carta de condução não passa de uma miragem. Numa tentativa de me incluir na segunda fase de recrutamento a voz amigável pergunta-me se tenho alguém que me possa levar ao ermo industrial em causa, visto que fica fora de rede de tansportes. Perante a resposta negativa, a voz informa-me que tem muita pena mas não pode dar continuidade ao processo, que era uma pena, que enviasse de novo currículo quando tivesse 'mobilidade'...

Mais tarde desligo o telefone e realizo o passeio entre o chão do meu quarto e a sala. Cara de poucos amigos. A mãe pergunta o que se passa. Respondo de forma sucinta, indicador que não quero conversar, que, pela enésima vez, a 'falta de mobilidade própria' me deixa pendurada.

Ouço o discurso da praxe: que temos de 'ter uma conversa', que respondo mal (que é quando digo que não quero falar...), que acha que estou à beira de um colapso. Digo-lhe que não quero 'ter uma conversa' aos 22 anos. Responde-me que sempre esteve disponível para conversar.

Pela minha mente passam episódios da minha adolescência em que às 17:30 começava a deitar olhares nervosos ao relógio da cozinha. Era hora da mãe chegar a casa. Desde o momento em que inseria a chave na porta até o momento em que se ia deitar, criticava tudo, gritava por nada, discursava sobre o que restava. Foi durante a minha adolescência que a mãe trabalhou num local em que o stress era mais que muito e isso, infelizmente, revelava-se desde o momento em que inseria a chave na porta até a hora de se ir deitar. Sempre muito stressada, sempre igualmente cansada. Recentemente deixou esse emprego que só lhe (nos) fazia mal. Ainda bem.

O flashback acaba. Saio do transe e respondo que é humanamente impossível estar sempre disponível quando se tem uma família tão grande que só pode conversar à hora de jantar. A minha mente gritava que sempre esteve disponível para 'ter uma conversa' é verdade, mas que 'ter uma conversa' equivalia na maior parte das vezes, a um extenso monólogo em que eu era a assistência e que, para isso, mais vale não 'conversar'. Consigo conter-me. A mente grita mas a boca não acrescenta nada. Porque os olhos viram a dor que as primeiras palavras causaram. Acusar não vale de nada. Por outro lado agradeço mentalmente: 'ainda bem que deixou aquele emprego...'


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Press pause

Respiro durante estes segundos de escrita entre o tempo de escrever o projecto de final de curso e o tempo de me arranjar para ir para as aulas neste que é o meu meraviglioso dia de folga. O sol brilha, estou de folga e a vida renasce à minha volta. Tenho a certeza de que o calendário marcava o início da Primavera em Março mas só agora é que ela se manifesta em todo o seu esplendor. Falta pouco para poder descansar por mais de dois minutos, muito pouco. Enquanto isso ouve-se qulquer coisa que cheire a Verão.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

[In]dependência

Morar com os pais depois dos 18 = roupa lavada + comidinha da mãezinha + mesada choruda + estudar à conta dos pais e tudo isto sem ter de trabalhar um dia.


Será?


Na sala de aula de uma qualquer universidade a diversidade de pessoas e percursos de vida é fascinante.


Conheço pessoas que decidiram sair de casa rumo a uma nova cidade com o intuito de estudar e viver sós. Uns à conta dos pais (vivem noutro local mas os pais pagam todas as despesas), outros recorrendo a bolsas ou empréstimos para poderem se concentrar nos estudos. É obvio que não é uma situação de total independência mas admiro muitíssimo estas pessoas. São independentes no sentido de que vivem num local diferente, sendo responsáveis (a maior parte das vezes) por gerir o seu dinheiro e as suas despesas, aprendendo que a vida não é tão fácil quanto parece.

Depois existe aquela minoria que faria o super homem parecer um 'menino', trabalhando a full -time, gerindo o tempo com a família, com o trabalho e com os estudos (normalmente alunos já casados cheios de responsabilidades familiares).


Resta o grande grupo dos que vivem com os pais (eu incluída).

Não há nada de errado em nenhum destes quadrantes da vida de estudante, agora o que não suporto é a idéia pré-concebida de que o primeiro parágrafo deste texto nos define a todos. É obvio que há muitos que se enquadram na descrição mas se os pais podem e querem oferecer o melhor aos seus filhos durante esses anos cruciais, quem tem o direito de criticar? Nem vou entrar em demagogias e teorias defendendo o que é pior ou melhor para cada um porque não vale a pena; agora que a grande parte das pessoas não vê o esforço por trás do rosto de cada um ...

Vivo com os meus pais e, como muitos colegas, isso não significa ter tudo e ser levado no colo. Pode ser muito bom estudar no conforto da nossa primeira casa mas, por vezes é o caos. A vida está difícil, é preciso estudar mas trabalhando ao mesmo tempo. Se vivemos sós, chegamos a casa para o silêncio das nossas paredes mas, se vivemos com os nossos pais, chegamos a casa para nos confrontar com as pessoas com que mais discutimos nos últimos anos (puberdade = yupii).



'Não fizeste isto', 'Porque não estás a estudar?', 'Porque é que deixas folhas espalhadas pela mesa do computador?, são frases que entram, mais do que desejaríamos, nos nossos ouvidos.



Melhor só mesmo as frases que saem dos nossos lábios: 'Mas quem mexeu nas folhas que deixei ao pé do computador? O quê?? Como assim no lixo??



Enfim, momentos preciosos...



Depois o espaço nunca é inteiramente nosso (quando se vive com outros estudantes o problema é parecido), principalmente quado temos irmãos. Tenho que partilhar o material, o quarto, as despesas, as tarefas o que, por mais boa vontade que todos possam ter, gera sempre alguns atritos. Se um não colabora por fazer a sua parte, estraga a programação de todos os outros.


Em tempo de exames é ainda mais stressante porque como tenho mais tempo em casa cai tudo em cima de mim. Se me deito à 1 e levanto-me às 9, lavo estendo roupa, aspiro, limpo e, depois de fazer tudo isto, é hora de estudar. Surge então o duplo problema: se por um lado estou estafada, por outro o restante da família começa a chegar a casa o que não me dixa nenhuma divisão para estudar sem interrupções constantes ou pedidos.


Tenho duas colegas com problemas semelhantes (uma vive com a família e outra divide a casa pois está sozinha). A nossa solução passa por estudar na escola. Surge outro duplo problema: se por um lado batalhamos por lugares para estudo, por outro o dinheiro escasseia para comer as três refeições que são super suspeitas na escola. Mas não desistimos: toca a levar um lanche leve e saudável de casa e a invadir os spots desertos [onde não é suposto estar ninguém] para estudar. Depois vai-se de tarde ou para casa , arruma-se, limpa-se, cozinha-se ou vamos para o trabalho da treta que todos nós parecemos ter ou procurar (dá para as despesas mais imediatas e para sonhar poder comprar um par de ténis).


A vida de estudante não é fácil quer se viva com família, quer com desconhecidos quer sozinho. Cada pessoa tem a sua realidade, umas mais fáceis de gerir que outras. Nestes tempos em que vivemos vejo pais a materem-se pelos seus filhos e filhos a estalfarem-se para aliviar o fardo dos pais. Trabalhei, seis dias da semana por um ordenado que faria rir qualquer um mas a sensação de que era meu, de iria pagar a minha escola, fazia-me levantar de manhã, ir para a escola, ir trabalhar e ir para casa e deitar-me com um sorriso no rosto ou com lágrimas comprimidas. Surgiram problemas em casa, de boa vontade cedi a minha pouca quantia, com a consciência de que fiz o que era certo. Por isso voltei ao mercado para poder ganhar dinheiro para esta realidade que é a minha. Nem pior, nem melhor do que a de outra pessoa, é apenas a minha.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ou perco o juízo ou vou para uma praia deserta

International Social Policy
Comparative Social Policy
Titmuss
Esping-Anderson
GPD
Expenditure

+

To cook
To clean
Personal expenses
To Work
Lack of money
No time to study
Disappointments


=

One-way ticket to Boavista in Cape Verde (not even in my wildest dream)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Estou 'na m****'

Vamos dançar ao som de Raquel e pode ser que tudo melhore.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Porque tem o sexo feminino de confirmar o estigma de que são todas umas cobras para as amigas? Eu não acreditava mas que as há...

Um dia destes li que determinada blogger sentia-se grata por ter sido traída por um ex-namorado, pois esta traição abriu-lhe os olhos de forma a encarar a realidade de forma realista .

Não percebi na altura mas, agora, percebo. Percebo o que é confiar em alguém e abrir-lhe as portas da nossa casa para que, depois, essa mesma pessoa por quem poríamos estupidamente a mão no fogo, nos trair a confiança de maneira tão sórdida que nem nos passa pela cabeça.

Não foi um namorado. De certa maneira foi pior. Foi uma (umas?) pessoa (pessoas?) que eu jurava ser minha amiga ou que tinha, pelo menos, determinados valores.

Mas não. Enganei-me redondamente. Ainda bem que me enganei.

Estou especialmente desapontada com uma das pessoas envolvidas. Sim porque eram pelo menos quatro . Pode até nem ter participado activamente mas fez algo pior: assistiu e calou-se. Porquê? Porque não tentou alertar-me, dizer algo em minha defesa? A resposta é que não é o tipo de pesoa que eu julgava que fosse. E como têm a coragem de me encarar e falar comigo como se nada tivesse acontecido? A coragem ou cobardia vem da certeza de que desconheço o acontecido?

Ainda bem que aconteceu. Assim tive a oportunidade de aprender algo sobre mim e sobre os outros. Descobri que não sou cínica nem profunda o suficinte para encarar alguém da mesma forma depois disto. Tenho poucas camadas, apesar de ser resistente. Não escondo emoções tão bem como sempre pensei que escondia. Não consigo sorrir de forma convincente se o tenho o coração a sangrar.

Aconteceu. Escolho não desenterrar o assunto. Se não tiveram a dignidade de me encarar e conversar sobre isso, eu também não o vou fazer apenas para bem das suas consciências (até porque a minha está limpa). Pelo menos não por agora. Talvez o fizesse se soubesse a quem atribuir a responsabilidade primária, ou talvez não.

Mas as coisas nunca mais serão as mesmas. Somos conhecidos, não amigos. E apesar de cumprimentar conhecidos com um 'bom dia', não vou partilhar o sofá, o gelado, o filme, os medos, as felicidades e as coisas mais simples e puras da vida com qualquer pessoa.


All of those you loved you mistrust
Help me I'm just not quite myself
Look around there's no one else left
...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

The end?

Hoje assisti ao que foi, aparentemente, o último episódio de Ugly Betty.

Digo 'último episódio' e não 'o final' porque cheira-me que ainda não acabou. A terceira temporada foi, de longe, a melhor. Esta foi muito contida e até algo cliché. Até parece que pegaram no resto da história e espremeram-na nos últimos dois episódios.

Diverti-me imenso, chateei-me algumas vezes e suspirei (de impaciência) com esta série e com as suas personagens. Acompanhar o crescimento das personagens gerou em mim estes sentimentos contraditórios porque, tal como na vida real, as pessoas cometem erros e irritam-nos por mais que as amemos

Mas, apesar de tdo, amei esta série. Tão simples quanto isso.

E o guarda roupa da Betty nos últimos episódios? To die for...

domingo, 11 de abril de 2010

Sunrise, sunrise...


Looks like mornig in your eyes

But the clock's held 9:15 for hours

Sunrise, sunrise

Couldn't tempt us if it tried

Cause the afternoon's already come and gone...
(...)
Há dias em que me levanto cedo. Calço os ténis,agarro na minha Monte Campo e encho-a com uma garrafa de água, um bloco de papel, um estojo de lápis de grafite, um ou dois livros de Eça de Queirós e de Altino do Tojal, o mp3 e a máquina fotográfica da minha irmã. Ajusto a velha mochila às costas, pego nas chaves de casa e no passe e lá vou eu. Parto para todo o lado e para lugar algum.
A maior parte das vezes não vou muito longe. Fico mesmo ao pé do rio. É interssante como parto pensando que vou livre e sem destino mas, na maior parte das vezes, sinto que o Tejo chama-me e atendo ao seu pedido.
No dia em que tirei esta fotografia não levei a mochila, nem a garrafa de água, muito menos os livros de contos. Levantei-me e corri até ao rio para tentar capturar a imagem do amanhacer. Daquele amanhecer.
Coloquei-me no lugar pretendido e lá fui disparando na tentativa vã de aprisionar todas as cores que são reveladas enquanto o sol se eleva. No preciso momento em que a luz iria incidir em cima da água revelando todo o esplendor que eu aguardava, a máquina ficou sem bateria. Sim, senti-me estúpida mas muito melhor do que ficar a lamuriar foi pôr a máquina de parte e assistir ao espectáculo gravando-o na memória. Dessa manhã, esta foi a foto com o sol mais alto que consegui.








terça-feira, 23 de março de 2010

I'm a creep, I'm a weirdo...



Não sabia da existência deste filme. Quero vê-lo. Mr. Deep não é só uma actor versátil como também representa de forma perturbadora. é dos poucos actores conhecidos que não me importo de ver em todo o lado. Há filmes que não consigo interiorizar porque o rosto do actor é demasiado familiar mas de forma negativa. Se algum dia a Miley Cirus virar uma actriz dramática surpreendente, não contem comigo...

(Que estranho. Estava a escrever e esqueci-me da palavra perturbadora. Só me vinha à mente disturbing. Tive de utilizar um dicionário para me recordar do português. Que quererá isto dizer? Quer dizer que sou mesmo uma croma tonta...)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Should i decide it's true
that you would leave if given half the chance to go and
i'd be left here on my own
to find myself in bed
wishing everything that changed would be the same

the room still looks like you
it's a mess and all the pictures on the shelf are
dusted off by someone else
to keep me company
i haven't told her that your thought still lingers on

everyday's another chance to bury my regret
everyday's another chance to make it but i can't
but i can't

i saw you on my phone
on a contact list that isn't up to date
would have changed it with more time
that i require to
rid my mind of all the freckles on your face

and reconcile to what?
the ring i bought you is buried deep within the ground
behind the swing where we first met
and memory only serves
to remind of all the bruises you forgave

should i decide it's true
that you'd return if given half the chance to come....

but it's not true




Do álbum Goodnight, de William Fitzsimmons.
Juntar à lista de desejos. É música triste, mas linda. Triste sem ser deprimente, calma e ainda assim envolvente.
Também não era nada mal acrescentar à lista de desejos: aprender a tocar como mr. Fitzsimmons.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Hoje sinto falta de todos as minhas pessoas (ai a possessividade que para aqui vai...) que, por razões diversas vivem longe. Alguns moram longe, porém perto se considerarmos que viajar dentro do espaço europeu é relativamente perto. Outros fazem essa proximidade parecer cobrir uma distância tão grande que é quase infinita, na medida em que se encontram no mesmo país (se bem que do outro lado do mesmo). Ainda outros moram, simplesmente, longe.

As distâncias por maiores ou mais pequenas que seja, afetam-me de igual forma e eu sinto-me... inesplicavelmente bem por ter a oportunidade de conhecê-los, mas ligeiramente triste por regular o nosso contacto por fusos horários, rotina diária, cansaço e dependentes de tecnologias falíveis. Porque há momentos na vida que existem para serem partilhados no momento, e que se perdem um pouco. Resta a amizade e companeirismo que se propagam pelo monitor do computador, levando, ainda que tardiamente, os momentos partilhados àqueles que nos querem bem.

Saudade
(...)
Mais do que a idéia,
Gosto de deixar fluir,
Mais do que o sentir,
Gosto da palavra,
E a forma como se entrelaça, com um sentimento de
pertença,
Convidando o tempo para uma dança,
Gosto de como a música nos leva para longe, sem sair do
lugar,
E sentir que se eleva, lá do alto onde os vejos,
Não é só a distânia que nos separa a distância que nos separa,
E quanto pesa o desejo, de voltar, des-saudadiar,
Quero tocar onde dizes que dói,
Preciso de descobrir, essa saudade que torce e mói,
Alimenta, ou nos destrói.
Excerto de Saudade, de M.D.C

sábado, 26 de dezembro de 2009

I'll be a runaway...

I'm gonna pack my bags, and never look back

Run a parallel line with the railroads track, and make my get away.

I put the pedal to the metal as the sun goes down

Leave everybody sleeping in this sleepy town tonight.

And at the break of day I'll be a runaway...







quinta-feira, 7 de maio de 2009

...

Não gosto de repetir procederes mas, ao contrário do que pensava, faço-o constantemente.

Tenho uma tendência quase auto-destrutiva para repetir erros. Erros dos mais elementares aos mais complexos.

Erros estúpidos.

Erros difíceis de prever.

Erros que tudo tinham de previsíveis.

Errar é humano. Repetir erros bárbaros não é muito inteligente.

O problema surge da junção das duas componentes: o erro e a inteligência.

Cada ser humano destaca-se pelas qualidades que o distinguem dos demais indivíduos. A inteligência é uma das características que nos torna únicos. Todos nós temos pelo menos uma área em que nos destacamos mais, sendo que esta afirmação é tão verdadeira quanto a de que a maioria da população mundial não tem a possibilidade de explorar a sua verdadeira vocação.

Quantos potenciais génios da música morrem diariamente, em lugares não tão distantes, sem poderem apreciar sequer uma melodia tradicional e desconstruí-la em todos os instrumentos e notas que a compõem porque têm de viver sob imposições feitas por pessoas que nunca conhecerão.

Quantos potenciais prodígios da matemática lutam a sua vida inteira para conseguir o alimento que apenas permite a si e aos seus presenciar dia de amanhã? Porque o amanhã será melhor, não poderá piorar.

E quantas das crianças que vivem em ambientes hostis de guerra, sujeitas a abusos pelas duas partes de um conflito que não é seu, terão a oportunidade de desenvolver potenciais capacidades em termos de relações humanas? Que confiança deposita no ser humano uma criança condicionada por tal meio? Que tipo de adulto será? Em que acreditará? Até onde será capaz de ir em prol do ideal que lhe sustenta?

A percentagem de vítima que se torma em agressor é alarmante. De onde será que surgem pessoas capazes de abusar assim de um ser humano? Pergunta de conversa de café que culmina na resposta óbvia.



Tudo isto para dizer que me sinto miserável por problemas vários. Todos nós temos os nossos obstáculos mas alguns sofrem de males tão maus que injusto não é adjectivo suficiente.

Ás vezes penso como seria se tivesse nascido em determinada situação que condicionasse o meu desenvolvimento. Seria uma pessoa melhor? Pior?



Voltando ao tema da vocação de cada um, eu ainda não descobri a minha.

Sei perfeitamente que sou inteligente, só não sei até que ponto. Sei que sou boa em muitas coisas, só não descobri aquela que ma apaixone. Se calhar já passei por ela e não me apercebi.

Mas aquilo de que tenho absoluta certeza, é que sou uma verdadeira tragédia no que diz respeito a relações humanas, sejam elas quias forem. Posso gostar imenso de alguém mas afastá-la completamente com os meus complexos.

A culpa é somente minha e o pior... é que sei disso.



E enquanto penso nestes devaneios, o mundo roda e as pessoas enfrentam problemas reais.

E enquanto o mundo roda, apercebo-me de quão pequena e insignifcnte sou na imensidão que é o universo.