Pessoas há que gostam de oferecer lindos presentes pelos mais variados motivos. Uns porque querem ser admirados, outros porque querem partilhar a sua sorte com outros e ainda alguns que o fazem como forma de legitimar o seu vício por compras.
Quando se tem meios, motivação correcta e sentimento genuíno, o momento de oferecer é lindo.
Quando não se tem meios para oferecer este mundo e o outro aos que nos são queridos a situação muda de figura. O que se partilha?
O meu amigo A. é um indivíduo deveras esquisito. Não pode ver ervas aromáticas no prato porque fica maldisposto, não gosta de comer e é muuuito alto. A única vez que o vi apreciar uma iguaria com salsa, sendo que ele estava devidamente informado sobre a existência da mesma no prato, ri-me como uma perdida por ele ter dito muito sério: 'apesar de isto ter coentros, salsa ou outra erva isto está muito bom'. É também um indivíduo muito divertido e especial.
Há uns dias pediu emprestada uma forma para bolo porque não tinha nenhuma. Ontem apareceu na porta com um bolo de chocolate enorme para o pessoal da casa. Pois é quando, por qualquer motivo, se sente feliz e agradecido, ou simplesmente porque lhe apetece, faz um bolo e oferece-o. Mas voltemos ao bolo. Eu nunca gostei muito do típico bolo de chocolate coberto de chocolate, recheado de chocolate, com côco na massa e quilos de manteiga na cobertura. Este bolo não era assim; para já não tinha côco e não era recheado. o bolo é perfeito e absolutamente delicioso. E depois leva uma cobertura tão leve... Pareço uma freak mas é mesmo bom.Estou a comê-lo desde ontem e ainda não me cansei. É desta que deixo de pesar os meus ridículos 52 quilos.
Isto tudo para dizer o quê: a motivação que leva alguém a escolher, com todo o amor, uma fragrância rara para alguém especial é a igualmente bonita à que leva alguém a fazer algo com as suas mãos para oferecer. Mas para quem recebe algo feito com o trabalho de um amigo, o sentimento é duplamente bom porque aquele presente é especial, é único no mundo. O mesmo se aplica aos postais personalizados pelas mãos da G, aos desenhos que a pequena M faz como surpresa e ao diamante de papel que recebi do F quando este tinha uns quatro anos. São presentes lindos que permanecem na memória de quem recebe pelo sentimente que lhes vem inpregnado.
Conheço pouco o A, mas a sua história, o seu trajecto na vida e a sua forma de estar nela fazem com que o seu bolo de chocolate seja um presente inesquecível.
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