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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quanto ficou por dizer

O telefone toca. Perante a certeza de ser um número desconhecido vejo os meus olhos brilharem de renascida esperança. Atendo. Do outro lado uma voz masculina e jovem inicia o processo de recrutamento de forma rotineira. Os segundos passam e o processo rotineiro dá lugar a uma conversa afável e amigável. Cedo ouço a pergunta que mais temia. Respondo que não, que não tenho veículo próprio, a carta de condução não passa de uma miragem. Numa tentativa de me incluir na segunda fase de recrutamento a voz amigável pergunta-me se tenho alguém que me possa levar ao ermo industrial em causa, visto que fica fora de rede de tansportes. Perante a resposta negativa, a voz informa-me que tem muita pena mas não pode dar continuidade ao processo, que era uma pena, que enviasse de novo currículo quando tivesse 'mobilidade'...

Mais tarde desligo o telefone e realizo o passeio entre o chão do meu quarto e a sala. Cara de poucos amigos. A mãe pergunta o que se passa. Respondo de forma sucinta, indicador que não quero conversar, que, pela enésima vez, a 'falta de mobilidade própria' me deixa pendurada.

Ouço o discurso da praxe: que temos de 'ter uma conversa', que respondo mal (que é quando digo que não quero falar...), que acha que estou à beira de um colapso. Digo-lhe que não quero 'ter uma conversa' aos 22 anos. Responde-me que sempre esteve disponível para conversar.

Pela minha mente passam episódios da minha adolescência em que às 17:30 começava a deitar olhares nervosos ao relógio da cozinha. Era hora da mãe chegar a casa. Desde o momento em que inseria a chave na porta até o momento em que se ia deitar, criticava tudo, gritava por nada, discursava sobre o que restava. Foi durante a minha adolescência que a mãe trabalhou num local em que o stress era mais que muito e isso, infelizmente, revelava-se desde o momento em que inseria a chave na porta até a hora de se ir deitar. Sempre muito stressada, sempre igualmente cansada. Recentemente deixou esse emprego que só lhe (nos) fazia mal. Ainda bem.

O flashback acaba. Saio do transe e respondo que é humanamente impossível estar sempre disponível quando se tem uma família tão grande que só pode conversar à hora de jantar. A minha mente gritava que sempre esteve disponível para 'ter uma conversa' é verdade, mas que 'ter uma conversa' equivalia na maior parte das vezes, a um extenso monólogo em que eu era a assistência e que, para isso, mais vale não 'conversar'. Consigo conter-me. A mente grita mas a boca não acrescenta nada. Porque os olhos viram a dor que as primeiras palavras causaram. Acusar não vale de nada. Por outro lado agradeço mentalmente: 'ainda bem que deixou aquele emprego...'


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

[In]dependência

Morar com os pais depois dos 18 = roupa lavada + comidinha da mãezinha + mesada choruda + estudar à conta dos pais e tudo isto sem ter de trabalhar um dia.


Será?


Na sala de aula de uma qualquer universidade a diversidade de pessoas e percursos de vida é fascinante.


Conheço pessoas que decidiram sair de casa rumo a uma nova cidade com o intuito de estudar e viver sós. Uns à conta dos pais (vivem noutro local mas os pais pagam todas as despesas), outros recorrendo a bolsas ou empréstimos para poderem se concentrar nos estudos. É obvio que não é uma situação de total independência mas admiro muitíssimo estas pessoas. São independentes no sentido de que vivem num local diferente, sendo responsáveis (a maior parte das vezes) por gerir o seu dinheiro e as suas despesas, aprendendo que a vida não é tão fácil quanto parece.

Depois existe aquela minoria que faria o super homem parecer um 'menino', trabalhando a full -time, gerindo o tempo com a família, com o trabalho e com os estudos (normalmente alunos já casados cheios de responsabilidades familiares).


Resta o grande grupo dos que vivem com os pais (eu incluída).

Não há nada de errado em nenhum destes quadrantes da vida de estudante, agora o que não suporto é a idéia pré-concebida de que o primeiro parágrafo deste texto nos define a todos. É obvio que há muitos que se enquadram na descrição mas se os pais podem e querem oferecer o melhor aos seus filhos durante esses anos cruciais, quem tem o direito de criticar? Nem vou entrar em demagogias e teorias defendendo o que é pior ou melhor para cada um porque não vale a pena; agora que a grande parte das pessoas não vê o esforço por trás do rosto de cada um ...

Vivo com os meus pais e, como muitos colegas, isso não significa ter tudo e ser levado no colo. Pode ser muito bom estudar no conforto da nossa primeira casa mas, por vezes é o caos. A vida está difícil, é preciso estudar mas trabalhando ao mesmo tempo. Se vivemos sós, chegamos a casa para o silêncio das nossas paredes mas, se vivemos com os nossos pais, chegamos a casa para nos confrontar com as pessoas com que mais discutimos nos últimos anos (puberdade = yupii).



'Não fizeste isto', 'Porque não estás a estudar?', 'Porque é que deixas folhas espalhadas pela mesa do computador?, são frases que entram, mais do que desejaríamos, nos nossos ouvidos.



Melhor só mesmo as frases que saem dos nossos lábios: 'Mas quem mexeu nas folhas que deixei ao pé do computador? O quê?? Como assim no lixo??



Enfim, momentos preciosos...



Depois o espaço nunca é inteiramente nosso (quando se vive com outros estudantes o problema é parecido), principalmente quado temos irmãos. Tenho que partilhar o material, o quarto, as despesas, as tarefas o que, por mais boa vontade que todos possam ter, gera sempre alguns atritos. Se um não colabora por fazer a sua parte, estraga a programação de todos os outros.


Em tempo de exames é ainda mais stressante porque como tenho mais tempo em casa cai tudo em cima de mim. Se me deito à 1 e levanto-me às 9, lavo estendo roupa, aspiro, limpo e, depois de fazer tudo isto, é hora de estudar. Surge então o duplo problema: se por um lado estou estafada, por outro o restante da família começa a chegar a casa o que não me dixa nenhuma divisão para estudar sem interrupções constantes ou pedidos.


Tenho duas colegas com problemas semelhantes (uma vive com a família e outra divide a casa pois está sozinha). A nossa solução passa por estudar na escola. Surge outro duplo problema: se por um lado batalhamos por lugares para estudo, por outro o dinheiro escasseia para comer as três refeições que são super suspeitas na escola. Mas não desistimos: toca a levar um lanche leve e saudável de casa e a invadir os spots desertos [onde não é suposto estar ninguém] para estudar. Depois vai-se de tarde ou para casa , arruma-se, limpa-se, cozinha-se ou vamos para o trabalho da treta que todos nós parecemos ter ou procurar (dá para as despesas mais imediatas e para sonhar poder comprar um par de ténis).


A vida de estudante não é fácil quer se viva com família, quer com desconhecidos quer sozinho. Cada pessoa tem a sua realidade, umas mais fáceis de gerir que outras. Nestes tempos em que vivemos vejo pais a materem-se pelos seus filhos e filhos a estalfarem-se para aliviar o fardo dos pais. Trabalhei, seis dias da semana por um ordenado que faria rir qualquer um mas a sensação de que era meu, de iria pagar a minha escola, fazia-me levantar de manhã, ir para a escola, ir trabalhar e ir para casa e deitar-me com um sorriso no rosto ou com lágrimas comprimidas. Surgiram problemas em casa, de boa vontade cedi a minha pouca quantia, com a consciência de que fiz o que era certo. Por isso voltei ao mercado para poder ganhar dinheiro para esta realidade que é a minha. Nem pior, nem melhor do que a de outra pessoa, é apenas a minha.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A saga do part-time

Experiência. Neste momento odeio esta palavra. Todos a pedem mas poucos a concedem.

Nos poucos lugares em que a oportunidade não é negada por falta de experiência, das duas uma: ou tenho de abdicar por incompatbilidade de horário ou, pior, vou esperando e conquistando fases até chegar ao momeno em que recebo um e-mail que diz que escolheram outro candidato.

Começa tudo outravez.



Estou desapontada, farta e a aproximar-me cada vez mais do desespero. Desapontada porque sei que (boa) parte da responsabilidade é minha, farta porque por mais que mude nunca é suficiente.

O desespero esse, vem como uma bola de neve, uma simples constatação. Em breve à constatação vão se somando outras constatações, sitações, equações que qual bola de neve que rola pela encosta vai aumentando de proporção até se tornar num verdadeiro problema.

Tenho despesas. O que ganhei nos últimos meses não vai durar até o fim do ano lectivo. Tenho de trabalhar. Tenho de estudar. Se não trabalhar não há dinheiro para os estudos. Se trabalhar perco tempo de estudo. Não intressa, já decidi trabalhar à muito tempo e, perdendo a possbilidade de ser a melhor da turma, não correu muito mal. Não me importo de assistir só a metade das aulas. Não me importo de perder a avaliação contínua e ter de estudar como uma condenada para os exames. Não me importo. Desistir não é uma hipótese. Cometer uma ilegalidade também não. Vou recomeçar outravez. Escrever o C.V. de novo, procurar de novo, queimar a sola dos sapatos e tempo de vida à procura de uma oportunidade...

Valerá a pena?

Durante seis meses chegava a casa totalmente desfeita do trabalho, comia, dormia e, no dia seguinte tentava arrastar-me da cama às 6.30 para ir para as aulas. Se me arrastasse de forma bem sucedida ia para a escola onde assistia a metade das aulas. Depois, corria para os transportes para ir trabalhar. Quando finalmente me sentava em minha casa, havia sempre algo que fazer. No meu dia de folga, o domingo, tinha mais coisas para tratar. Andava cansada, andava podre, mas pelo menos todo aquele trabalho deu para as propinas.

Mas agora não tenho trabalho, eu e mais 100 mil como eu só neste país. Os mais jovens dizem que lhes é pedida experiência, os mais experientes dizem que lhes é pedida a juventude.
Todos nós precisamos de uma oportunidade. Apenas isso.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Porque tem o sexo feminino de confirmar o estigma de que são todas umas cobras para as amigas? Eu não acreditava mas que as há...

Um dia destes li que determinada blogger sentia-se grata por ter sido traída por um ex-namorado, pois esta traição abriu-lhe os olhos de forma a encarar a realidade de forma realista .

Não percebi na altura mas, agora, percebo. Percebo o que é confiar em alguém e abrir-lhe as portas da nossa casa para que, depois, essa mesma pessoa por quem poríamos estupidamente a mão no fogo, nos trair a confiança de maneira tão sórdida que nem nos passa pela cabeça.

Não foi um namorado. De certa maneira foi pior. Foi uma (umas?) pessoa (pessoas?) que eu jurava ser minha amiga ou que tinha, pelo menos, determinados valores.

Mas não. Enganei-me redondamente. Ainda bem que me enganei.

Estou especialmente desapontada com uma das pessoas envolvidas. Sim porque eram pelo menos quatro . Pode até nem ter participado activamente mas fez algo pior: assistiu e calou-se. Porquê? Porque não tentou alertar-me, dizer algo em minha defesa? A resposta é que não é o tipo de pesoa que eu julgava que fosse. E como têm a coragem de me encarar e falar comigo como se nada tivesse acontecido? A coragem ou cobardia vem da certeza de que desconheço o acontecido?

Ainda bem que aconteceu. Assim tive a oportunidade de aprender algo sobre mim e sobre os outros. Descobri que não sou cínica nem profunda o suficinte para encarar alguém da mesma forma depois disto. Tenho poucas camadas, apesar de ser resistente. Não escondo emoções tão bem como sempre pensei que escondia. Não consigo sorrir de forma convincente se o tenho o coração a sangrar.

Aconteceu. Escolho não desenterrar o assunto. Se não tiveram a dignidade de me encarar e conversar sobre isso, eu também não o vou fazer apenas para bem das suas consciências (até porque a minha está limpa). Pelo menos não por agora. Talvez o fizesse se soubesse a quem atribuir a responsabilidade primária, ou talvez não.

Mas as coisas nunca mais serão as mesmas. Somos conhecidos, não amigos. E apesar de cumprimentar conhecidos com um 'bom dia', não vou partilhar o sofá, o gelado, o filme, os medos, as felicidades e as coisas mais simples e puras da vida com qualquer pessoa.


All of those you loved you mistrust
Help me I'm just not quite myself
Look around there's no one else left
...

terça-feira, 16 de março de 2010

E depois disto tudo ainda vou dobrar roupa


Cheguei a casa já passava das cinco e meia.

Estava cansada e com os pés triturados.

Entro na cozinha para fazer o jantar quando me deparo com um bilhete: '(...)dobra as roupas do cesto e da máquina de secar sff (...)'.

Vou à varanda e contemplo a montanha de roupa à minha espera.

Tiro ainda mais roupa da corda.

Peço-lhe para me fazer um favor na rua porque calçar-me outravez não é uma opção (depois de ter ido para as aulas de manhã e para o trabalho logo depois) e sair de casa muito menos porque tenho muito que fazer enquanto que ele nada faz.

A sua resposta é de uma argumentação tal que fico passada: 'vai tu porque quando sou também não vais' (?!?).

Tento pedir mais uma vez.

Por nada deste mundo largará o seu jogo a meio para acudir quem quer que seja.

Perco a cabeça e fecho-lhe o portátil.

Agora é que ele não vai mesmo.

Resolvo lanchar enquanto vejo O Regresso de Jezebel James.

Resolvo procurar um par de sapatos que não me mate (os meus caros botins de 10 cm fora os felizardos) e saio.

Chego a casa e faço o jantar.

Enquanto isso penso na pilha de roupa.

Ele sai para ir para casa de um amigo.

Guess who's gonna clean the kitchen... not me.


Estás lá filho, estás lá...


Há uns anos atrás torcia o nariz quando ouvia algém do sexo feminino dizer algo do género: 'Ai e tal é claro que fiz isto e aquilo afinal, sou uma mulher.'

Agora percebo que isso não queria dizer que regem as suas vidas por princípios em que a lida da casa é da exclusiva responsabilidade do sexo feminino, ou que este deve adoptar determinados comportamentos; queriam dizer que o fazem porque, para além do gosto pela vida (que é como quem diz, não querem enterrar-se em cutão até aos olhos), têm mais energia, poder e determinação que os outros. Boa parte dos grandes exemplos de perseverança que quando adultos percebemos terem nos influenciado são das nossas mães e avós por algum motivo.

Quando a realidade altera-se e o que era uma vida confortável desaparece, é normalmente a mulher a primeira a tratar das suas feridas e a seguir em frente, dizendo aos seus que a situação vai melhorar brevemente, mesmo quando não acreditam plenamente nisso.

Nestes casos os homens são geralmente uns tadixos a quem a vida tratou mal, enquanto que as mulheres são apenas mais algumas que por acaso pisam a mesma terra mas que não têm metade dos problemas que os tadixos têm.


Hoje aborreci-me seriamente com a atitude idiota de um, por isso chateio-me com todos.

Mas é como eu disse: estás lá filho, estás lá.

Imagem daqui

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Do 'baú' da minha mãe

Há sempre alguma coisa nos nossos progenitores que nos fascinam desde pequenos. As palavras a elegância, a inteligência, a capacidade de adivinhar quando fazemos alguma trapaça, em suma, as suas características. Sempre gostei de ouvir a minha mãe falar dos meus antepassados, das suas característica e valores.
O que gostava e gosto mesmo de ouvir são as histórias de vida da minha querida mãe antes de nós (os rebentoa) nascermos. As coisas de que gostava, as roupas, os sapatos (ai aqueles sapatos italianios liiindooooooos de morrer que duram e duram e duram e são lindos e duram), as amizades, as experiências mas, ainda mais a música.

Lembro-me de ser bem pequena e de fazer, com os meus irmãos mãe e tia, as nossas festas que envolviam vasculhar tudo o que era k7 ou vinil da grande colecção disponível e de dançar ao seu ritmo. A banda sonora de Greease, as k7s de Julio Inglesias, os sons manhosos da américa latina, Bonga, Mobass, tudo era dancável.
Mas o som que mais gosto até hoje é o de uma pequena k7 dos anos oitenta de Marcella Bella. Suspirar, chorar, dançar e desafinar numa só k7. O meu único medo é que se estrague. Por esse motivo recorro muitas vezes à internet para ouvir algumas das canções (a grande maioria não é muito conhecida, por isso não me vale de muito).
Strana ideia strana folia é uma das minha preferidas para dançar/desafinar/assassinar-a-letra e é um pouco difícil de encontrar. Aquelo ritmo típico dos anos 80 é o máximo. Só os penteados é que são...
Viva o youtube, porque encontrei hoje uma atuação ao vivo de Bella em que canta esta música. Como foi gravado ao vivo boa parte do feeling presente na gravação original perde-se, mas é fantástico na mesma. E lá vou eu dançando como uma tresloucada...

E agora em calão de 2002, os anos oitenta rolaram muito... parece que também se dizia batia bué mas já está em desuso... esta juventude não se percebe (estou a perder o juízo).
E não é que estive a ver uma entrevista recente e a mulher continua fenomenal? Não sei o que fez mas está linda.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O meu amigo A.

Pessoas há que gostam de oferecer lindos presentes pelos mais variados motivos. Uns porque querem ser admirados, outros porque querem partilhar a sua sorte com outros e ainda alguns que o fazem como forma de legitimar o seu vício por compras.
Quando se tem meios, motivação correcta e sentimento genuíno, o momento de oferecer é lindo.
Quando não se tem meios para oferecer este mundo e o outro aos que nos são queridos a situação muda de figura. O que se partilha?

O meu amigo A. é um indivíduo deveras esquisito. Não pode ver ervas aromáticas no prato porque fica maldisposto, não gosta de comer e é muuuito alto. A única vez que o vi apreciar uma iguaria com salsa, sendo que ele estava devidamente informado sobre a existência da mesma no prato, ri-me como uma perdida por ele ter dito muito sério: 'apesar de isto ter coentros, salsa ou outra erva isto está muito bom'. É também um indivíduo muito divertido e especial.

Há uns dias pediu emprestada uma forma para bolo porque não tinha nenhuma. Ontem apareceu na porta com um bolo de chocolate enorme para o pessoal da casa. Pois é quando, por qualquer motivo, se sente feliz e agradecido, ou simplesmente porque lhe apetece, faz um bolo e oferece-o. Mas voltemos ao bolo. Eu nunca gostei muito do típico bolo de chocolate coberto de chocolate, recheado de chocolate, com côco na massa e quilos de manteiga na cobertura. Este bolo não era assim; para já não tinha côco e não era recheado. o bolo é perfeito e absolutamente delicioso. E depois leva uma cobertura tão leve... Pareço uma freak mas é mesmo bom.Estou a comê-lo desde ontem e ainda não me cansei. É desta que deixo de pesar os meus ridículos 52 quilos.

Isto tudo para dizer o quê: a motivação que leva alguém a escolher, com todo o amor, uma fragrância rara para alguém especial é a igualmente bonita à que leva alguém a fazer algo com as suas mãos para oferecer. Mas para quem recebe algo feito com o trabalho de um amigo, o sentimento é duplamente bom porque aquele presente é especial, é único no mundo. O mesmo se aplica aos postais personalizados pelas mãos da G, aos desenhos que a pequena M faz como surpresa e ao diamante de papel que recebi do F quando este tinha uns quatro anos. São presentes lindos que permanecem na memória de quem recebe pelo sentimente que lhes vem inpregnado.

Conheço pouco o A, mas a sua história, o seu trajecto na vida e a sua forma de estar nela fazem com que o seu bolo de chocolate seja um presente inesquecível.