Escrita sobre tudo e sobre nada, porque há sempre algo que fica por dizer, porque muito se pensa mas nem tudo se diz.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Quanto ficou por dizer
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
[In]dependência
Será?
Na sala de aula de uma qualquer universidade a diversidade de pessoas e percursos de vida é fascinante.
Conheço pessoas que decidiram sair de casa rumo a uma nova cidade com o intuito de estudar e viver sós. Uns à conta dos pais (vivem noutro local mas os pais pagam todas as despesas), outros recorrendo a bolsas ou empréstimos para poderem se concentrar nos estudos. É obvio que não é uma situação de total independência mas admiro muitíssimo estas pessoas. São independentes no sentido de que vivem num local diferente, sendo responsáveis (a maior parte das vezes) por gerir o seu dinheiro e as suas despesas, aprendendo que a vida não é tão fácil quanto parece.
Depois existe aquela minoria que faria o super homem parecer um 'menino', trabalhando a full -time, gerindo o tempo com a família, com o trabalho e com os estudos (normalmente alunos já casados cheios de responsabilidades familiares).
Resta o grande grupo dos que vivem com os pais (eu incluída).
Não há nada de errado em nenhum destes quadrantes da vida de estudante, agora o que não suporto é a idéia pré-concebida de que o primeiro parágrafo deste texto nos define a todos. É obvio que há muitos que se enquadram na descrição mas se os pais podem e querem oferecer o melhor aos seus filhos durante esses anos cruciais, quem tem o direito de criticar? Nem vou entrar em demagogias e teorias defendendo o que é pior ou melhor para cada um porque não vale a pena; agora que a grande parte das pessoas não vê o esforço por trás do rosto de cada um ...
Vivo com os meus pais e, como muitos colegas, isso não significa ter tudo e ser levado no colo. Pode ser muito bom estudar no conforto da nossa primeira casa mas, por vezes é o caos. A vida está difícil, é preciso estudar mas trabalhando ao mesmo tempo. Se vivemos sós, chegamos a casa para o silêncio das nossas paredes mas, se vivemos com os nossos pais, chegamos a casa para nos confrontar com as pessoas com que mais discutimos nos últimos anos (puberdade = yupii).
'Não fizeste isto', 'Porque não estás a estudar?', 'Porque é que deixas folhas espalhadas pela mesa do computador?, são frases que entram, mais do que desejaríamos, nos nossos ouvidos.
Melhor só mesmo as frases que saem dos nossos lábios: 'Mas quem mexeu nas folhas que deixei ao pé do computador? O quê?? Como assim no lixo??
Enfim, momentos preciosos...
Depois o espaço nunca é inteiramente nosso (quando se vive com outros estudantes o problema é parecido), principalmente quado temos irmãos. Tenho que partilhar o material, o quarto, as despesas, as tarefas o que, por mais boa vontade que todos possam ter, gera sempre alguns atritos. Se um não colabora por fazer a sua parte, estraga a programação de todos os outros.
Em tempo de exames é ainda mais stressante porque como tenho mais tempo em casa cai tudo em cima de mim. Se me deito à 1 e levanto-me às 9, lavo estendo roupa, aspiro, limpo e, depois de fazer tudo isto, é hora de estudar. Surge então o duplo problema: se por um lado estou estafada, por outro o restante da família começa a chegar a casa o que não me dixa nenhuma divisão para estudar sem interrupções constantes ou pedidos.
Tenho duas colegas com problemas semelhantes (uma vive com a família e outra divide a casa pois está sozinha). A nossa solução passa por estudar na escola. Surge outro duplo problema: se por um lado batalhamos por lugares para estudo, por outro o dinheiro escasseia para comer as três refeições que são super suspeitas na escola. Mas não desistimos: toca a levar um lanche leve e saudável de casa e a invadir os spots desertos [onde não é suposto estar ninguém] para estudar. Depois vai-se de tarde ou para casa , arruma-se, limpa-se, cozinha-se ou vamos para o trabalho da treta que todos nós parecemos ter ou procurar (dá para as despesas mais imediatas e para sonhar poder comprar um par de ténis).
A vida de estudante não é fácil quer se viva com família, quer com desconhecidos quer sozinho. Cada pessoa tem a sua realidade, umas mais fáceis de gerir que outras. Nestes tempos em que vivemos vejo pais a materem-se pelos seus filhos e filhos a estalfarem-se para aliviar o fardo dos pais. Trabalhei, seis dias da semana por um ordenado que faria rir qualquer um mas a sensação de que era meu, de iria pagar a minha escola, fazia-me levantar de manhã, ir para a escola, ir trabalhar e ir para casa e deitar-me com um sorriso no rosto ou com lágrimas comprimidas. Surgiram problemas em casa, de boa vontade cedi a minha pouca quantia, com a consciência de que fiz o que era certo. Por isso voltei ao mercado para poder ganhar dinheiro para esta realidade que é a minha. Nem pior, nem melhor do que a de outra pessoa, é apenas a minha.
domingo, 2 de janeiro de 2011
A saga do part-time
Nos poucos lugares em que a oportunidade não é negada por falta de experiência, das duas uma: ou tenho de abdicar por incompatbilidade de horário ou, pior, vou esperando e conquistando fases até chegar ao momeno em que recebo um e-mail que diz que escolheram outro candidato.
Começa tudo outravez.
Estou desapontada, farta e a aproximar-me cada vez mais do desespero. Desapontada porque sei que (boa) parte da responsabilidade é minha, farta porque por mais que mude nunca é suficiente.
O desespero esse, vem como uma bola de neve, uma simples constatação. Em breve à constatação vão se somando outras constatações, sitações, equações que qual bola de neve que rola pela encosta vai aumentando de proporção até se tornar num verdadeiro problema.
Tenho despesas. O que ganhei nos últimos meses não vai durar até o fim do ano lectivo. Tenho de trabalhar. Tenho de estudar. Se não trabalhar não há dinheiro para os estudos. Se trabalhar perco tempo de estudo. Não intressa, já decidi trabalhar à muito tempo e, perdendo a possbilidade de ser a melhor da turma, não correu muito mal. Não me importo de assistir só a metade das aulas. Não me importo de perder a avaliação contínua e ter de estudar como uma condenada para os exames. Não me importo. Desistir não é uma hipótese. Cometer uma ilegalidade também não. Vou recomeçar outravez. Escrever o C.V. de novo, procurar de novo, queimar a sola dos sapatos e tempo de vida à procura de uma oportunidade...
Valerá a pena?
Durante seis meses chegava a casa totalmente desfeita do trabalho, comia, dormia e, no dia seguinte tentava arrastar-me da cama às 6.30 para ir para as aulas. Se me arrastasse de forma bem sucedida ia para a escola onde assistia a metade das aulas. Depois, corria para os transportes para ir trabalhar. Quando finalmente me sentava em minha casa, havia sempre algo que fazer. No meu dia de folga, o domingo, tinha mais coisas para tratar. Andava cansada, andava podre, mas pelo menos todo aquele trabalho deu para as propinas.
Mas agora não tenho trabalho, eu e mais 100 mil como eu só neste país. Os mais jovens dizem que lhes é pedida experiência, os mais experientes dizem que lhes é pedida a juventude.
Todos nós precisamos de uma oportunidade. Apenas isso.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Porque tem o sexo feminino de confirmar o estigma de que são todas umas cobras para as amigas? Eu não acreditava mas que as há...
Não percebi na altura mas, agora, percebo. Percebo o que é confiar em alguém e abrir-lhe as portas da nossa casa para que, depois, essa mesma pessoa por quem poríamos estupidamente a mão no fogo, nos trair a confiança de maneira tão sórdida que nem nos passa pela cabeça.
Não foi um namorado. De certa maneira foi pior. Foi uma (umas?) pessoa (pessoas?) que eu jurava ser minha amiga ou que tinha, pelo menos, determinados valores.
Mas não. Enganei-me redondamente. Ainda bem que me enganei.
Estou especialmente desapontada com uma das pessoas envolvidas. Sim porque eram pelo menos quatro . Pode até nem ter participado activamente mas fez algo pior: assistiu e calou-se. Porquê? Porque não tentou alertar-me, dizer algo em minha defesa? A resposta é que não é o tipo de pesoa que eu julgava que fosse. E como têm a coragem de me encarar e falar comigo como se nada tivesse acontecido? A coragem ou cobardia vem da certeza de que desconheço o acontecido?
Ainda bem que aconteceu. Assim tive a oportunidade de aprender algo sobre mim e sobre os outros. Descobri que não sou cínica nem profunda o suficinte para encarar alguém da mesma forma depois disto. Tenho poucas camadas, apesar de ser resistente. Não escondo emoções tão bem como sempre pensei que escondia. Não consigo sorrir de forma convincente se o tenho o coração a sangrar.
Aconteceu. Escolho não desenterrar o assunto. Se não tiveram a dignidade de me encarar e conversar sobre isso, eu também não o vou fazer apenas para bem das suas consciências (até porque a minha está limpa). Pelo menos não por agora. Talvez o fizesse se soubesse a quem atribuir a responsabilidade primária, ou talvez não.
Mas as coisas nunca mais serão as mesmas. Somos conhecidos, não amigos. E apesar de cumprimentar conhecidos com um 'bom dia', não vou partilhar o sofá, o gelado, o filme, os medos, as felicidades e as coisas mais simples e puras da vida com qualquer pessoa.
All of those you loved you mistrust
Help me I'm just not quite myself
Look around there's no one else left ...
terça-feira, 16 de março de 2010
E depois disto tudo ainda vou dobrar roupa

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Do 'baú' da minha mãe
O que gostava e gosto mesmo de ouvir são as histórias de vida da minha querida mãe antes de nós (os rebentoa) nascermos. As coisas de que gostava, as roupas, os sapatos (ai aqueles sapatos italianios liiindooooooos de morrer que duram e duram e duram e são lindos e duram), as amizades, as experiências mas, ainda mais a música.
Lembro-me de ser bem pequena e de fazer, com os meus irmãos mãe e tia, as nossas festas que envolviam vasculhar tudo o que era k7 ou vinil da grande colecção disponível e de dançar ao seu ritmo. A banda sonora de Greease, as k7s de Julio Inglesias, os sons manhosos da américa latina, Bonga, Mobass, tudo era dancável.
Mas o som que mais gosto até hoje é o de uma pequena k7 dos anos oitenta de Marcella Bella. Suspirar, chorar, dançar e desafinar numa só k7. O meu único medo é que se estrague. Por esse motivo recorro muitas vezes à internet para ouvir algumas das canções (a grande maioria não é muito conhecida, por isso não me vale de muito).
Strana ideia strana folia é uma das minha preferidas para dançar/desafinar/assassinar-a-letra e é um pouco difícil de encontrar. Aquelo ritmo típico dos anos 80 é o máximo. Só os penteados é que são...
Viva o youtube, porque encontrei hoje uma atuação ao vivo de Bella em que canta esta música. Como foi gravado ao vivo boa parte do feeling presente na gravação original perde-se, mas é fantástico na mesma. E lá vou eu dançando como uma tresloucada...
E agora em calão de 2002, os anos oitenta rolaram muito... parece que também se dizia batia bué mas já está em desuso... esta juventude não se percebe (estou a perder o juízo).
E não é que estive a ver uma entrevista recente e a mulher continua fenomenal? Não sei o que fez mas está linda.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O meu amigo A.
Quando se tem meios, motivação correcta e sentimento genuíno, o momento de oferecer é lindo.
Quando não se tem meios para oferecer este mundo e o outro aos que nos são queridos a situação muda de figura. O que se partilha?
O meu amigo A. é um indivíduo deveras esquisito. Não pode ver ervas aromáticas no prato porque fica maldisposto, não gosta de comer e é muuuito alto. A única vez que o vi apreciar uma iguaria com salsa, sendo que ele estava devidamente informado sobre a existência da mesma no prato, ri-me como uma perdida por ele ter dito muito sério: 'apesar de isto ter coentros, salsa ou outra erva isto está muito bom'. É também um indivíduo muito divertido e especial.
Há uns dias pediu emprestada uma forma para bolo porque não tinha nenhuma. Ontem apareceu na porta com um bolo de chocolate enorme para o pessoal da casa. Pois é quando, por qualquer motivo, se sente feliz e agradecido, ou simplesmente porque lhe apetece, faz um bolo e oferece-o. Mas voltemos ao bolo. Eu nunca gostei muito do típico bolo de chocolate coberto de chocolate, recheado de chocolate, com côco na massa e quilos de manteiga na cobertura. Este bolo não era assim; para já não tinha côco e não era recheado. o bolo é perfeito e absolutamente delicioso. E depois leva uma cobertura tão leve... Pareço uma freak mas é mesmo bom.Estou a comê-lo desde ontem e ainda não me cansei. É desta que deixo de pesar os meus ridículos 52 quilos.
Isto tudo para dizer o quê: a motivação que leva alguém a escolher, com todo o amor, uma fragrância rara para alguém especial é a igualmente bonita à que leva alguém a fazer algo com as suas mãos para oferecer. Mas para quem recebe algo feito com o trabalho de um amigo, o sentimento é duplamente bom porque aquele presente é especial, é único no mundo. O mesmo se aplica aos postais personalizados pelas mãos da G, aos desenhos que a pequena M faz como surpresa e ao diamante de papel que recebi do F quando este tinha uns quatro anos. São presentes lindos que permanecem na memória de quem recebe pelo sentimente que lhes vem inpregnado.
Conheço pouco o A, mas a sua história, o seu trajecto na vida e a sua forma de estar nela fazem com que o seu bolo de chocolate seja um presente inesquecível.