Experiência. Neste momento odeio esta palavra. Todos a pedem mas poucos a concedem.
Nos poucos lugares em que a oportunidade não é negada por falta de experiência, das duas uma: ou tenho de abdicar por incompatbilidade de horário ou, pior, vou esperando e conquistando fases até chegar ao momeno em que recebo um e-mail que diz que escolheram outro candidato.
Começa tudo outravez.
Estou desapontada, farta e a aproximar-me cada vez mais do desespero. Desapontada porque sei que (boa) parte da responsabilidade é minha, farta porque por mais que mude nunca é suficiente.
O desespero esse, vem como uma bola de neve, uma simples constatação. Em breve à constatação vão se somando outras constatações, sitações, equações que qual bola de neve que rola pela encosta vai aumentando de proporção até se tornar num verdadeiro problema.
Tenho despesas. O que ganhei nos últimos meses não vai durar até o fim do ano lectivo. Tenho de trabalhar. Tenho de estudar. Se não trabalhar não há dinheiro para os estudos. Se trabalhar perco tempo de estudo. Não intressa, já decidi trabalhar à muito tempo e, perdendo a possbilidade de ser a melhor da turma, não correu muito mal. Não me importo de assistir só a metade das aulas. Não me importo de perder a avaliação contínua e ter de estudar como uma condenada para os exames. Não me importo. Desistir não é uma hipótese. Cometer uma ilegalidade também não. Vou recomeçar outravez. Escrever o C.V. de novo, procurar de novo, queimar a sola dos sapatos e tempo de vida à procura de uma oportunidade...
Valerá a pena?
Durante seis meses chegava a casa totalmente desfeita do trabalho, comia, dormia e, no dia seguinte tentava arrastar-me da cama às 6.30 para ir para as aulas. Se me arrastasse de forma bem sucedida ia para a escola onde assistia a metade das aulas. Depois, corria para os transportes para ir trabalhar. Quando finalmente me sentava em minha casa, havia sempre algo que fazer. No meu dia de folga, o domingo, tinha mais coisas para tratar. Andava cansada, andava podre, mas pelo menos todo aquele trabalho deu para as propinas.
Mas agora não tenho trabalho, eu e mais 100 mil como eu só neste país. Os mais jovens dizem que lhes é pedida experiência, os mais experientes dizem que lhes é pedida a juventude.
Todos nós precisamos de uma oportunidade. Apenas isso.
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