segunda-feira, 26 de novembro de 2012

I wanna settle down I wanna settle down

Desempregada. Em casa. Procurando emprego. Limpando. Cozinhando. Arrumando. A ouvir diariamente que não faz nada. Que há roupa para lavar. Que há chão para aspirar. Que há roupa à espera de ser passada a ferro. Que os quartos são para arrumar. É uma casa de cinco pessoas, é impossível que uma pessoa consiga fazer tudo isso ao nível de uma fada do lar sem ajuda e que não arruma quartos que não o seu é a resposta. Todos amuam. Querem a roupa passada e arrumada na gaveta. A comida na mesa às oito e meia. O chão imaculado. A cozinha arrumada. E tudo isto com um sorriso a acompanhar. Tenho vinte e três anos, estou desempregada e que raio, não esperam que eu encontre trabalho se ficar o dia todo a bancar a fada do lar. Que não. Que há tempo para tudo isso. Não, não há. Se quando me levanto tenho de lavar a louça de cinco pequenos-almoços, lavar duas máquinas de roupa e estendê-las, a que horas saio de casa. Que sou preguiçosa. E se for? Qual o problema de me deprimir uma vez por mês e ficar todo o dia de pijama a beber leite com café, com mel, com canela, com chocolate, com canela, com o que me apetecer enquanto respondo a anúncios no sapo e no expresso  e no raio que o parta que a Internet é espectacular para procurar emprego quando o dinheiro para procurá-lo pessoalmente escasseia. Percorro a minha caixa de correio onde tardam as mensagens que realmente interessam. Desespero presa no meu pesadelo suburbano.
Que uma dona de casa trabalha muito mais do que o seu respectivo marido que chega do seu trabalho mal humorado, descalçando os sapatos enquanto atira-se para o sofá a resmungar que o jantar não está pronto, poderia ser discutível (para mim não é, trabalham mais e ponto). O que não é discutível é que eu nunca quis ser uma.
Sempre ambicionei assentar com a minha própria pessoa, ocupando um belíssimo T1 que iria limpar e arrumar por mim e para mim. Julgam-me louca. Ai e tal e viver sozinha não e o papão e devias namorar e casar e o caraças. E é ver crianças a casar e é ver trintões solteiros a viver com os pais e é ver malta que vai a todo o lado e vê a torre Eiffel e o palácio de Buckingham sempre a tiracolo de alguém. Sou maior, vacinada e como nasci ontem o casamento não é sequer algo que se aconselhe. Quero viver sozinha. Quero viajar. Quero fazer parvoíces com os meus amigos como qualquer outro twenty-year-old. InterRail. Mochila às costas. Á minha custa. Deal with it.

I wanna settle down. Á minha maneira.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Costatações #3

Perante uma esplanada totalmente vazia o cliente depara-se com um dos grandes dilemas do século: e agora, onde me sento? 
Hipótese a: na mesa à sua frente totalmente vazia e arrumada.
Hipótese b: na mesa à sua direita igualmente irrepreensível.
Hipótese c: na segunda mesa à sua esquerda, semelhante às restantes.
Hipótese d: na terceira mesa à sua esquerda, um pouco mais distante mas igualmente arrumada.
Hipótese e: na mesa do fundo, na sua extrema esquerda, totalmente desarrumada e imunda depois da estadia de quatro adoráveis crianças e respectivos progenitores, que partiram à dois minutos, cheia de louça suja, restos de bolos, papéis, restos de cigarro e toalhetes de bebé.

Ó vida cruel, onde se sentará o ilustre cliente neste que é o mais complicado dia da sua difícil existência? Vida cruel que o obriga a escolher onde se sentar numa esplanada de café (onde já se viu semelhante cousa?).

Hipótese e. Porca miséria que me passo de cada vez que um estulto qualquer decide que irá colocar o seu real assento na única mesa que parece saída de um confronto de guerra. What's wrong with you people?
Mas o cliente é rei e senhor e tem sempre razão e o camandro.

Constatação: Perante uma escolha aparentemente fácil o estulto escolhe sempre complicar as coisas.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

I feel like complaining

Empregada de balcão de 2.º numa pastelaria cheia de pseudo- snobs.
Odeio atitudes snob.
Seis dias por semana sem feriados nem abébias.
Ordenado mínimo.
Dívidas a crescer.
Nem um cêntimo de sobra (só de falta).
Fisicamente e Psicologicamente esgotada.
Quatro quilos a mais.
Roupa que insiste em encolher (?).

Ok estou a ficar louca e gorda mas é por uma boa causa.
Só a trabalhar é que se alcança algo (pelo menos quando se é pobre e sem conections).

No fim do Verão fico novamente desempregada por isso o próximo passo é começar a preparar novas candidaturas. Parar não é opção.

Ânimo rapariga!
'Eu marco um X no mapa do tesouro
Não há quem desvie o meu barco do seu rumo
Nem para a frente nem para trás
É um risco que eu assumo
Passo a cortina de fumo
É um medo que é comum
Passo o cabo e a boa esperança encontrei...'

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

(Quase que) odeio futebol

Ajuntamento de massas = psicologia qualquer que diz ai e tal e aumento da estupidez do ser humano quando parte de uma grupo que defende determinada idéia sem fundamento, só porque sim (ai eu torço por no one gives a ****) = porrada da grossa no jornal das 20.

...I live on the frozen surface of a fireball, where cities come together to hate each other in the name of sport...


...I got music coming out of my hands, and feets, and kisses...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eu não queria dizer isto (por acaso queria e quero) mas...

Porcaria-pah-que-andei-a-estudar-e-a-queimar-as-pestanas-para-isto-e-agora-estou-numa-de-trabalhar-nove-horas-por-dia-folga-ao-domingo-para-pôr-as-ideias-em-ordem-ai-o-camandro-pah.

E é isto.

Porque nunca o disse em voz alta mas hoje estive a pensar nisso e fiquei lixada da vida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A relatividade da felicidade

Sentada em frente ao computador olho pela janela enquanto ouço uma versão casual de Bella Luna na voz de mr. Mraz. A luz do pôr do sol inunda a erva verde e as árvores do terreno abandonado atrás do meu prédio. Este pequeno pedaço resistente de terra lembra-me constantemente de como é bela a natureza.

Recordo-me de uma reportagem recente que noticiava que fontes seguras garantiam que os ilustres cidadãos de determinado país residentes na Península Ibérica seriam evacuados em caso de colapso económico nesta que é considerada a cauda da Europa. Quando pedida a opinião aos ilustres cidadãos do país em causa uma resposta destacou-se das outras politicamente correctas como sendo a mais interessante. Foi qualquer coisa como: ' O quê? sair de Portugal em caso de bancarrota? Eu só tenho a certeza de que mais vale estar falido aqui ao sol e com esta comida do que ter dinheiro no norte do país de onde venho.'

Sorrio. Não porque concorde (o verde das paisagens do norte da ilha maravilhosa sempre me fascinou), mas porque percebi o que o indivíduo queria dizer. Lembro-me de caminhar à beira mar no calor das noites de verão, de espreguiçar num qualquer banco nos jardins de Belém a aproveitar o sol de inverno de dançar à chuva com a certeza de que a felicidade é rir com os mesmos amigos que nos conheceram a andar de autocarro e com quem agora vamos de carro para metade do mundo. Partilhar o almoço com uma colega que veio do calor de África para estudar, atravessar Lisboa a pé com os amigos porque não há dinheiro para o metro, enquanto se tira fotografias como se de turistas nos tratássemos. Percebi o que o ilustre cidadão queria dizer... A beleza da vida não está tanto nas coisas que temos mas mais no que conseguimos fazer com o que possuímos.

Contemplo o cenário que a minha janela me oferece e tenho a certeza de que fui feliz. O sol desaparece atrás de um prédio qualquer e a certeza aprofunda-se: Sou feliz.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Hello, Alone, It's you and me again...

Este vídeo faz-me rir e sorrir de forma quase idiota. Charlie Winstone. Um dos artistas que têm o dom de colorir até o dia mais cinzento e frio de todos (hoje é um desses dias).